Em 2012 essa camisa do Cruzeiro, autografada pelo Nelinho, foi exposta em exposição do Projeto Memorial BDMG 50 anos, uma realização do BDMG Cultural, que lembrava a participação do sistema financeiro do estado no futebol mineiro
“E agora Chico; se dinheiro das Bets é “pecado”, e dinheiro público para socorrer os clubes?” O atual governador repete Newton Cardoso e outros
Eu estava acabando de escrever a respeito quando chegou esse questionamento do Fernando Chaves aqui no blog.
Vamos lá!
A melhor reação que li sobre essa história de o governador de Minas, em campanha pela reeleição, dar dinheiro aos três maiores clubes do estado, foi a do Democrata via twitter: @democratajacare
“E os invisíveis que se explodam! Só servimos pra ajudar a pagar as contas através dos tributos e da conta de energia.”
Foi um comentário na notícia dada pelo Planeta Futebol: @futebol_info “Governo de Minas Gerais anuncia R$ 32 milhões em “suporte” a Atlético, Cruzeiro e América. Galo e Cruzeiro receberão R$ 15 milhões cada, e o América-MG, R$ 2 milhões.”
Uai, e o “Estado mínimo” pregado pelo próprio governador e seus partidários?
E pode isso Arnaldo? Dinheiro público para empresas privadas?
Ou os três deixaram de ser SAF?
Ah, tá! Estamos no Brasil, onde sempre se dá um jeitinho, né?
Ainda mais em véspera de eleições.
NOVO, mas antigo
O atual governador está encerrando o mandato de Romeu Zema, o único eleito pelo partido NOVO no Brasil, que prometia, jurava, que seria diferente, uma nova política. Até exigiam curriculo e atestado de bons antecedentes de quem quisesse se filiar à sigla. Usar dinheiro público em campanha? Nem pensar? Nem do famigerado fundo partidário.
Mas, promessas são promessas, e a política continua do jeito que sempre foi.
Com essa de injetar dinheiro nos maiores clubes do estado, Matheus Simões repete Newton Cardoso, que em seu mandato (1987 a 1990), deu o estádio Independência ao América e imediatamente depois teve que fazer agrados a Cruzeiro e Atlético, porque ambos estavam chiando. Na época o estado negociou com o 7 de Setembro (dono do Indepa) e o reformou, em regime de comodato para que Galo e Raposa jogassem lá, enquanto o gramado do Mineirão era trocado. Como o 7 estava licenciado do futebol profissional, Newton Cardoso entregou o estádio ao América (time do coração dele), e na sequência o América negociou diretamente com o 7 e ficou em definitivo com o estádio. O Cruzeiro ganhou o ginásio poliesportivo que o estado tinha construido no seu antigo estádio JK (Barro Preto), e o Atlético recebeu um dinheiro em forma de patrocínio do Banco Credireal (estatal) para reformar a Vila Olímpica.
Antes de Newton Cardoso, dois outros governadores já tinham botado grana nos três clubes: Francelino Pereira e Hélio Gracia, em 1982 e 1986, quando o Credireal e o Agrimisa patrocinaram o Atlético; o BDMG/MinasCaixa, o Cruzeiro e o Banco Agrimisa (que foi estatizado), o América.
Newton Cardoso ajudou o América em outros momentos, inclusive na transição do terreno onde atualmente é o Boulevard Shopping e nos tempos em que foi prefeito de Contagem, com o terreno de Três Barras. Já ex-governador, emprestou dinheiro dele ao Atlético, para ajudar na montagem da “Selegalo” em 1994, mas não foi doação. Ficou com um clube que o Galo tinha nas margens da Lagoa da Pampulha, perto do Zoológico.

Nelinho no Atlético em tempos de patrocínio do estatizado Banco Agrimisa, cuja origem era Sete Lagoas



4 Responses
O futebol sempre foi uma máquina de lavar dinheiro. Antes era bicheiro. Hoje são “bets”. E não vaos nos esquecer de que, mesmo quando o dinheiro é “explicado”, ainda há os abusos.
Na Inglaterra, há agora a discussão do que fazer com o Manchester City, que claramente abusou do poder financeiro dos árabes patrocinadores. E segue o jogo.
Isso é uma piada de mal gosto.
Futebol chega a dar nojo! Estado dando caviar para os ricos e banana para os pobres. Por isso não vou mais ao estádio e nem perco mais meu tempo com isso mas essa noticia é de indignar qualquer um.
E não se esqueça, Chico, da obra viária de mais de R$ 32 milhões, no entorno da Arena do Galo, que tinha ficado como contrapartida de responsabilidade do Atlético. Os 4R’s quiseram que o Kalil fizesse para eles e o Kalil bateu o pé e disse que não faria. Aí, deu aquele furdunço todo…
Mas foi só funcionário do Menin assumir a Prefeitura que a obra foi revertida com ônus para a prefeitura de BH.
Seja o prefeito ou o governador de plantão, TODOS eles trabalham em benefício da velha e apodrecida burguesia mineira.
Sou atleticano, mas antes de ser atleticano eu sou cidadão e contribuinte. Esse tipo “ajuda” gera vergonha no torcedor e ódio no contribuinte.
Aqui, sempre foi assim e sempre será, por isso essa roça, que é BH, NUNCA se desenvolverá. Sempre algum “sobrenome importante” precisa ser favorecido, tirar o dele, garantir a sua vantagem, em detrimento ao bem coletivo.
E se está ruim, calma…vai piorar!
“Little Cleiton” vem aí…