Ronaldinho Gaúcho na Netflix: imperdível para quem gosta de futebol e histórias da vida como ela é – Parte II

Netflix/reprodução

Não gosto de textos longos, mas neste caso, não tem jeito e para não cansar nobres leitores e leitoras, vamos por partes. Se você não leu a Parte I, sugiro que volte lá, em que lembro a forma Elias Kalil de presidir o Atlético, que o Alexandre adaptou para 2008, quando assumiu o clube..

Quem presta atenção nos depoimentos dele, da mãe, da irmã e do irmão Assis, nota que o Barcelona e o Atlético são os clubes em que ele mais teve satisfação de jogar, por motivos distintos: optou pelo Barça, mais pelo desafio do que pelo dinheiro. O Manchester United oferecia mais, para ele se juntar a outras grandes estrelas e ser mais uma, num time ganhava tudo naquela época. No Barcelona ele seria a estrela, que teria de jogar muito para tirar o time da fila de cinco anos sem ganhar o campeonato espanhol. Não deu outra.

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Ao aceitar jogar no Galo, a história se repetia: o dinheiro era infinitamente inferior ao que vários clubes de vários países lhe ´pagariam. Em Belo Horizonte ele teria dois desafios: recuperar a própria imagem e cumprir a previsão do Cuca, feita ao irmão e procurador Assis: “estamos montando um time para fazer bonito na Libertadores, mas se eu tiver um 10, como o Ronaldinho, seremos campeões”. Dito e feito.

O Atlético foi o único time com quem a Dona Miguelina entrou em campo, e ela e ele falam da gratidão com a massa e com a diretoria. Ele elogia também Belo Horizonte e o carinho que recebia em todo lugar aqui, até dos cruzeirenses, a quem ele sempre respeitou. E a Libertadores da América era o título que ele não tinha em sua enorme sala de troféus em Porto Alegre. 

Alexandre Kalil repetia Elias no comando do Galo. Pegava o telefone para pedir, cobrar e conseguir o que fosse preciso para o Atlético. Sabia que teria o respaldo da antiga geral e das arquibancadas do Mineirão.

Nesse documentário o próprio Ronaldinho fala da conversa que ele e o irmão, Assis, tiveram com o então presidente do Atlético, na casa deles em Porto Alegre:

__ Papai Kalil falou tudo; direto, simples e verdadeiro. Por isso o chamo de ‘papai Kalil’, até hoje!”

O outro a quem ele chama de “papai” no documentário é Laurent Perpère, presidente do Paris Saint-Germain que contratou em 2001. 

Durante o documentário, falas de grandes jogadores, importantes na vida do Barcelona, sobre como é jogar com Ronaldinho e contra ele: Belleti, autor do gol da virada, do título da Champions League 2005/2006, contra o Arsenal, em Paris. O mesmo Arsenal onde Gilberto Silva era um dos principais jogadores, dentro e fora de campo.

O mesmo Gilberto Silva, que foi comprado pelo Atlético ao América, quando Kalil comandava o futebol do Galo.

Com a venda do Gilberto Silva ao Arsenal, Kalil fez um acordo com o então presidente Ricardo Guimarães: o dinheiro dessa transação seria investido no término da estrutura básica da Cidade do Galo (ideia e início de obra de Elias Kalil), para que o time tivesse um CT à altura. Justiça seja feita, Ricardo Guimarães topou na hora e assim foi feito.

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O mesmo Gilberto Silva, que já se preparava para pendurar as chuteiras, foi “repatriado” por Alexandre Kalil para ajudar na campanha da Libertadores. E está no documentário a participação fundamental dele no vestiário antes da final, depois da preleção do Cuca: chamou os companheiros e fez um discurso rápido sobre a oportunidade única que todos tinham ali, de entrar pra história e melhorar a vida deles todos e de suas famílias. Uma injeção na veia de cada, minutos antes de a bola rolar no Mineirão. E o Gilberto nem jogou as duas partidas.

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