Foto: Eugênio Sávio
Prazer rever o Alisson Sol, que tem sido uma fonte fantástica nestes dias de Copa do Mundo, não só sobre os Estados Unidos, mas do futebol como um todo. Além de anfitrião desses raros, nos levando a lugares que só quem mora aqui conhece. Como este restaurante Diner, diferente de tudo que conheço de estabelecimentos do mesmo ramo de atividade.
O título desse post foi pinçado da ótima análise que o Alisson Sol fez sobre a primeira fase da Copa do Mundo. Mineiro de Ituiutaba, mora aqui nos Estados Unidos há décadas, com alguns anos morando também na Inglaterra.
Gosta e acompanha futebol a fundo e é desses que fala mal até do próprio time para o qual torce (Cruzeiro), quando entende que está no caminho errado.
Confira o que ele pensa dessas primeiras semanas da Copa e perspectivas:
* “Eu aprendi que especialista, quando não é do novo tipo “influenciador”, tem seu valor. E não há como alguém ser mais especialista em assistir e comentar futebol do que os ingleses, falando do esporte que inventaram. Após morar no país, eu vi que os brasileiros dizem amar o futebol e seus clubes quando tudo vai bem. Também amam a seleção quando gera um feriado! O Inglês ama o clube de qualquer jeito, ama a seleção do país, e ama o esporte em geral, reconhecendo até a vitória e mérito alheio. Você vê reportagens da TV Inglesa antecedendo a Copa de 1970 e parece que estavam antecipando o Brasil campeão (vide no YouTube o vídeo Seleção Brasileira antes de jogos da final de 70 no México, Rara Filmagem do Treinamento).
Não se esqueça que a seleção campeã à época era… a Inglesa!
Eu estava assistindo outro vídeo (Wayne Rooney comenta sobre o Brasil e Vini Jr no podcast), feito após a vitória do Brasil contra a Escócia. É interessante ver o ex-jogador escocês Paul Lambert (vencedor da Liga dos Campeões com o Borussia Dortmund em 1997, mas que saiu antes do jogo da final do “Mundial” contra o Cruzeiro!) falando sem deixar se levar por emoção sobre a derrota da Escócia. Assumiu que o Ancelotti fez uma armadilha tática contra a Escócia: deixou o time ter o domínio de bola. Apesar de a posse de bola ao final ficar perto de 50% para cada time, foi mais pelo Brasil tocar esperando o jogo acabar. Isto não ocorreu no começo, quando o Brasil deixou a bola com a Escócia para ver o que iriam fazer. E Paul Lambert admitiu: a gente (Escócia) não sabe muito jogar com posse de bola. Acaba fazendo lambança e dando a bola para o adversário. Numa serenidade impressionante, admite que não houve falta no gol anulado de Vini Jr., e que o primeiro tempo deveria ter terminado 3×0. E nem vou fazer o “spoiler” dele falando sobre enfrentar o Brasil quando estava na ativa.
Outros especialistas a se consultar: os estatísticos das casas de apostas. Ao contrário do que as pessoas pensam, os sites de apostas não mostram a probabilidade de um evento. É a probabilidade “implícita” do evento ajustada para garantir o lucro da “casa” com a maioria das possíveis distribuições de apostas. Meu conselho para quem joga online: não o faça! Mas, de volta à vaca fria: o maior site de apostas atualmente, coloca o Brasil com 6% de chance de ganhar a copa (vide https://polymarket.com/sports/world-cup/map). No dia 8/junho, a probabilidade era 8% (vide Web Archive). O que ocorreu: o Brasil vem tendo desfalques, está num encaminhamento mais difícil que alguns concorrentes (exemplo, a Argentina). Acho que o Brasil passa pelo Japão e, devido a ter assistido ao jogo Noruega x Marrocos ao vivo, acho que a Costa do Marfim passa pela Noruega. Assim, minha expectativa é que meu ingresso para o próximo jogo em Nova Jérsei me leve a Brasil x Costa do Marfim. Depois, haja pedreira, com grande probabilidade para uma sequência contra México e depois Argentina. Se chegar à final, com o material que tem, Ancelotti já merece uma estátua e paz para cumprir seu contrato até 2030.
O entusiasmo com o futebol bretão nos EUA de hoje é real, mas o pico de interesse atual é importado. Quando os torcedores estrangeiros voltarem para a casa, tudo volta ao normal, e o esporte nacional volta a ser o … beisebol. Estando aqui nos EUA, creio que você já tenha visto o comercial que passa a todo momento sobre o sonho de uma final com o Brasil (Do You Believe? Everything Can Happen on Home Soil).
Como dizia Adilson Batista: “Vamos aguardar”.”
* Por Alisson Sol


