Entrando no clima de mais uma cobertura de Copa do Mundo, lembrando de edições passadas e de grandes ídolos e companheiros

Depois de treino da seleção na Universidade de Santa Clara, na Califórnia a caminho do tetra nos Estados Unidos em 1994.

Eu, “Ronaldinho do Cruzeiro”, Pedro Bial e Jaeci Carvalho.

Ronaldo ainda não tinha o apelido de “Fenômeno”, dado pela torcida da Inter de Milão três anos depois. Ainda tinha contrato com o Cruzeiro, mas já estava vendido para o PSV Eindhoven (Philips Sport Vereniging), da Holanda, porém, ninguém sabia.

A saudosa colega Fabíola Colares, então no jornal Hoje em Dia, foi quem descobriu, durante a Copa, e informou em absoluta primeira mão. Óbvio que a notícia soou como uma bomba em Belo Horizonte, onde o presidente César Masci desmentiu peremptoriamente, acusando a jornalista de estar “fazendo onda”, com o objetivo de tumultuar o clube. Disse que a processaria ao jornal, caso não houvesse um desmentido no dia seguinte.

O editor-chefe, Rogério Perez, estava lá na cobertura também e a questionou. Ela sustentou a informação, pois tinha gravado a fonte, fortíssima, que a informou. O jornal não desmentiu, Masci rompeu com o Hoje em Dia, proibiu a entrada de seus repórteres na Toca da Raposa.

A Copa acabou, o Brasil foi tetra e o Ronaldo nem voltou a Belo Horizonte para buscar as coisas dele. Das comemorações do título em Brasília ele foi direto para o Rio e nos dias seguintes para Eindhoven, onde se apresentou ao seu novo clube.

Nem a Fabíola nem o jornal foram processados, os repórteres do Hoje em Dia em momento algum foram barrados na Toca da Raposa e o César iniciou a contagem regressiva para terminar o seu mandato e passar a bola para o Zezé Perrella. Os valores da venda do Ronaldo foram motivo de contestação, o time despencou no brasileiro e quase foi rebaixado.

Breve contarei aqui como a Fabíola apurou a venda do Ronaldo.

Na praia de Long Beach, em momento de folga na cobertura da Copa de 1994, quatro dias antes da final em Pasadena, Fabíola Colares fotografada pelo Orlando Augusto (na época da Rede Minas) e o mestre Rogério Perez em primeiro plano, em foto feita por mim.

Fabíola foi pioneira entre as mulheres, na cobertura diária de um clube. Infelizmente nos deixou precocemente. Jornalista raiz, se cansou do dia a dia das redações, se tornou empresária/lojista, em Fortaleza, onde morava. No dia 19 próximo, completaremos dois anos sem ela.

Escrevi aqui no blog sobre ela quando tomei conhecimento de sua partida: “… A primeira reação que temos sobre a perda de alguém querido é de incredulidade. Não quis acreditar quando o amigo jornalista dos tempos do jornal Hoje em Dia, Clésio Giovani, me informou que ela tinha partido. Andou sentindo umas dores de cabeça, procurou médico, fez exames e nada de anormal fora encontrado. Mas, dormiu ontem e não acordou hoje!…

3 Responses

  1. Olá Chico,

    Entrando no clima da Copa, fui ontem ao jogo da Noruega com Marrocos. Fomos com a camisa da Noruega para ficar disfarçados, pois minha esposa queria ir com a camisa do Brasil, o que não achei boa ideia. Um bom plano mas, como dizia Garrincha, faltou combinar com os adversários. Chegando ao estádio, eram provavelmente uns 100 torcedores do Marrocos para cada torcedor da Noruega. O lado bom: muitos marroquinos querendo tirar fotos juntos, e fomos entrevistados pela TV do Marrocos por absoluta falta de noruegueses no portão onde entramos. Dizem que o público foi de 25 mil pessoas. Mas o estádio do Red Bulls tem capacidade para 25 mil e havia muitos espaços vazios. Bom para mim, pois este é o meu plano para a Copa: esperar pelo desespero de quem comprou ingressos para revender com muito lucro e vai ter de vender na última hora. Ano passado deu certo e fui à final do Mundial de Clubes da FIFA.

    Quanto ao jogo: o Brasil que se prepare. Felizmente, tem hoje um técnico que estuda os adversários e não vai ser surpreendido por laterais que sobem, como o Hakimi, ou um camisa 10 que volta para pegar a bola, como o Brahim Díaz. O time do Marrocos é excelente. Joga num 5-3-2 que parece defensivo, mas, quando sai em contra-ataque, é impossível de acompanhar. Olha que a Noruega também toca a bola muito bem e venceu todos os seus jogos das eliminatórias. Pois ontem, a Noruega só empatou depois que Marrocos tirou uns 7 titulares de campo. Além disso, a Noruega entrou com alguns jogadores novos, como o tal Oscar Bobb, que parecem muito mais animados do que os titulares. Ou seja: toda seleção tem esse problema de ninguém entender por que certos jogadores são titulares e outros reservas. Além do outro mistério de ninguém entender por que alguns são convocados.

    Fosse a seleção brasileira ainda treinada por um desses técnicos que põem o time em campo sem respeitar o adversário, naquele estilo “eles é que têm de se preocupar com o Brasil”, iria tomar uma goleada. O que dá alguma chance ao Brasil: o técnico respeita o rival e sabe que vitória de 1×0 vale o mesmo que 10×0 em Copa. Um empate contra a seleção do Marrocos não é um mau resultado!

    1. Opa, que legal Alisson,
      ótimas informações.
      Me diga como se dá este processo de compra de ingressos de última hora, já que com o mundo digital tudo mudou, mas sabemos que o cambismo não acabou.
      Tenho falado pra todo mundo que reclama do preço dos ingressos, que se acalme, pois na “hora H”, aparece ingresso a preço de custo e até abaixo.
      Abraço,
      obrigado.

  2. Chico, bons tempos esses retratados acima. Não havia redes sociais, a internet e celulares ainda engatinhavam, as pessoas não destilavam ódio, defendendo políticos corruptos, e mesmo tendo ideologias diferentes, se abraçavam, como na sua foto. E o melhor, éramos 32 anos mais jovens.

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