Foto: CruzeiroEC
Frase de Giuseppe Tomasi di Lampedusa (1896-1957), pensador italiano, autor de “O Leopardo”, obra que narra a decadência dos nobres na Itália.: “Algo deve mudar para que tudo continue como está”
Os clubes e a Federação Mineira de Futebol definiram ontem que o estadual do ano que vem terá os 12 integrantes divididos em dois grupos de seis, trocando o formato atual, em que os times eram divididos em três chaves de quatro.
É a continuidade da nobre decadência do futebol brasileiro com seus estaduais que nada acrescentam técnica e financeiramente a nenhum clube, nem grande, médio ou pequeno, nesse tipo de formato.
Repito o que digo todo ano a respeito deste assunto: os estaduais devem continuar existindo, por dezenas de motivos, mas deveriam ser disputados nos moldes da Copa o Mundo. Todos os times profissionais do estado, à exceção dos quatro primeiros do ranking, jogariam de forma regionalizada, eliminatórias para se classificarem 28. Aí, durante um mês, incluindo os quatro primeiros do ranking (onde entrariam Atlético, Cruzeiro, América e mais um), decidiriam o título, em oitavas e quartas de final, semifinais e final.
Pronto. Os times do interior jogariam durante o ano inteiro, revelariam jogadores, já que não teriam preocupações com rebaixamento. Os da capital ficariam de olho em possíveis talentos, como antigamente, não fariam jogos inúteis e desgastantes, além de ganhar mais dinheiro com rendas e direitos de TV.
Também nos moldes da Copa, a disputa poderia ser a cada ano em uma região do estado. A primeira edição seria no Triângulo, a segunda no Norte, a terceira no Sul, a quarta nos Vales do Aço, Rio Doce e Mucuri, a quinta em Belo Horizonte e região central e depois novamente no Triângulo e o revezamento continuaria.
Em 2017, dei essa sugestão, pessoalmente ao Marcelo Aro, que na época era diretor da CBF, além de irmão do presidente da FMF e deputado federal.
Ele disse que a ideia era “até boa”, mas que esbarrava na legislação, Estatuto do Torcedor e etecetera e tal.
Insisti: é só mudar a legislação. __ É complicado, dá muito trabalho, demora, mas quem sabe? – Respondeu ele. E nunca mais falou-se no assunto.
Mas a ideia continua. O atual presidente da FMF, Castellar Neto, já foi presidente lá, diretor da CBF, é dos quadros da cúpula jurídica da FIFA, foi senador por alguns meses e continua amigo e aliado político do Aro e do mundo político. Ou seja: se tiver interesse em mudar de verdade, é só querer, já que tem estatura para isso.
A propósito, sábado passado, dia 24, jogaram Cruzeiro x Atlético, partida de volta pela semifinal do Brasileiro Sub-17, na Arena do Jacaré, em Sete Lagoas. Quem vencesse iria para a final. Jogo de ida foi 0 a 0 na Arena MRV.
O Cruzeiro venceu por 3 a 0, gols de Thayllon, Otávio e Isaque. Vai decidir contra o Corinhtians, sábado, 31 no Itaquerão, e terça-feira, dia 3, às 21h30 no Indepedência. Aliás, ingressos à venda para o jogo lá, a R$ 20 e R$ 30, para quem quiser no site do time paulista: https://www.fieltorcedor.com.br; sem bilheteria física.
Acompanhado do filho pequeno, o atleticano Ângelo chegou na bilheteria, devidamente vestidos com suas camisas do Galo, mas foram barrados, já que era jogo pra “torcida única”.
Pode isso, gente? Num estádio para quase 20 mil pessoas, jogo Sub-17, sábado à tarde, torcida única. A partida de ida também foi.
Nenhum argumento convence a ninguém que tenha bom senso para justificar um negócio desses. Segurança? Não é possível, né?
Mais sobre no “novo” Campeonato Mineiro no portal 7Dias News:
“FMF define novo formato do Campeonato Mineiro 2027; Democrata está no grupo do Cruzeiro”
Grupo A: Atlético, Pouso Alegre, North, Tombense, Betim e Villa Nova.
Grupo B: Cruzeiro, América, Democrata SL, URT, Uberlândia e Itabirito.


