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No desespero contra o rebaixamento, contra a incompetência da diretoria, contra uma dívida inacreditável e falta de perspectivas, os americanos ficam sonhando com uma solução para os seus problemas e se empolgam com qualquer notícia alvissareira, mesmo que seja um conto de fadas ou presente de Papai Noel!
Essa história de investidor do mundo das arábias trazendo potes de ouro e poços de petróleo para adquirir a SAF se encaixa bem nisso. Soa tão bem como conto do vigário que os camaradas estão falando em injetar mais de 1 bilhão de reais, um estádio para 15 mil pessoas pro futebol feminino e categorias de base e um Museu do Coelho!
O quê?
Como diz o povo da querida Abaeté, “tem base?”
Tipo assim: enquanto prometem essas coisas, de boca, querem que conselheiros, ex-presidentes e demais instâncias estatutárias assinem um documento entregando os elencos da base e profissional, o estádio Independência, o CT e um pedaço do Shopping para eles, sem garantias de verdade.
Felizmente americanos lúcidos e bem informados se mobilizaram antes da reunião realizada quarta-feira e conseguiram dar uma travada nas negociações até que as coisas se esclareçam de verdade.
Pensei que fosse exagero do americano que me contou, mas aí a pessoa me enviou o parecer de um especialista conceituado nacionalmente em Direito Comercial, que fez observações e deu orientações.
E fez esta importante ressalva: “QUE FIQUE BEM CLARO: trata-se apenas da minha posição, exclusivamente. Cada um tire as conclusões que quiser e decida da melhor forma que entender. Não sou contra qualquer investidor ou negócio. No caso, apenas não aconselho a assinatura do documento, que poderá acarretar severos prejuízos ao América. A negociação, no meu ponto de vista, tem que melhorar muito no tocante aos direitos e garantias do América, e, principalmente: quem é o investidor?
Que tenhamos uma excelente reunião. Cordial abraço”
Algumas observações e orientações do especialista: “Não, o contrato não é seguro. Recomendo não assinar como está! E vale separar duas inseguranças, porque exigem remédios diferentes: quem é a contraparte (resolve-se com diligência, não com redação), e como o negócio foi desenhado (resolve-se com redação).
O defeito central que talvez ainda não tenha sido visto: a promessa de R$ 800 milhões é, como está redigida, uma promessa vazia.
A Cláusula 1.4 não fala em “aporte” — fala em “viabilizar a geração de recursos”, e a letra (a) computa “as receitas e/ou ganhos gerados para o América SAF… quaisquer outras avenças com terceiros”.
Isso inclui venda de atletas, cotas de TV, bilheteria, sócio-torcedor.
A letra (c) inclui captações para projetos sociais; a letra (e) chega a computar mútuos — empréstimos que a SAF terá de devolver.
Nenhuma exclusão de 1.4.1 alcança a receita operacional do clube. Com receita própria de R$ 80 milhões/ano, a meta é integralmente atingida em dez anos sem um centavo de dinheiro novo.
E a penalidade por descumprir está remetida aos “Documentos Definitivos”, com apuração só ao final de 2036. Um achado legislativo que muda a leitura do teto de R$ 197 milhões.
A Lei 15.427/2026 foi sancionada em junho com vetos que derrubaram exatamente os dispositivos que blindariam a SAF contra dívidas do clube. As Cláusulas 1.2.1 e 1.2.2 regulam quem paga entre as partes, mas não impedem credores de alcançar a SAF.
E aí o efeito combinado é perverso: quando isso acontecer e a Investidora pagar, o pagamento é computado como “Geração de Recursos” pelas letras (d) e (f), com regresso contra o clube.
O passivo histórico do América vira investimento da contraparte. A mesma lei também torna a golden share indisponível — o que faz da Cláusula 1.9 (III), que a condiciona a manter 10% do capital, uma renúncia antecipada a direito que a lei protege.
Sobre as suas observações quanto à Global: elas se confirmam na leitura, e há uma agravante estrutural. A Cláusula 2.1 (V) exige beneficiário final apenas de fundos de investimento com mais de 5% (art. 6º da Lei da SAF).
A Global é uma FZ-LLC, não um fundo — pela literalidade, o beneficiário final dela não precisa ser revelado. E a Cláusula 3.1.4, que exige comprovar idoneidade e origem dos recursos, não tem prazo, nem lista, nem consequência, nem é condição precedente.
Enquanto isso o clube tem 10 dias corridos para entregar tudo.
Há ainda a divergência de OAB entre o preâmbulo (244.833) e a assinatura (224833), o placeholder “[PARTE/INVESTIDOR]” na cláusula que transfere as ações, e o Anexo 1.5.1 — o croqui que delimita o CT Lanna Drummond — que simplesmente não veio.
Ao final, no cenário de sucesso do contrato, a Associação, de 1912, fica com 10% de uma companhia que não controla, com o que dela receber legalmente vinculado a credores antigos, sem os dois CTs e sem o estádio por setenta anos — contra R$ 20 milhões de caixa certo.
Nos arquivos: o parecer de 35 páginas traz a análise cláusula a cláusula, redação substitutiva para catorze pontos e um checklist de KYC com 30 itens em sete blocos.
O relatório visual condensa isso para a reunião de quarta. Salvei o essencial no projeto também.
Um alerta de calendário: o Conselho é em dois dias. Se for preciso assinar algo para preservar o processo, sugiro assinar outro documento — curto, só com KYC, confidencialidade com multa e nenhuma indisponibilidade de ativos.
E vale exigir o bloco de KYC com prazo de 15 dias antes de qualquer outra coisa: um investidor real responde a essa lista sem dificuldade, e a velocidade da resposta já é o teste mais informativo que existe.
Fontes: Lei 15.427/2026 — Planalto · Câmara dos Deputados — Lei 15.427/2026 e vetos · ConJur — Reestruturação econômico-financeira na Lei das SAFs…”
QUE FIQUE BEM CLARO, Trata-se apenas da minha posição, exclusivamente. Cada um tire as conclusões que quiser e decida da melhor forma que entender. Não sou contra qualquer investidor ou negócio. No caso, apenas não aconselho a assinatura do documento, que poderá acarretar severos prejuízos ao América. A negociação, no meu ponto de vista, tem que melhorar muito no tocante aos direitos e garantias do América, e, principalmente: quem é o investidor?
Que tenhamos uma excelente reunião. Cordial abraço”



6 Responses
O mequinha vai conseguir perder o jogo pra ponte Petra, mesmo jogadores da macaca prometendo não entrar em campo, dirigente de futebol gosta muito é de falácias, e usar o clube e paixão de torcedor para entrar na carreira política
Quem se importa com o América ?
Alguém já viu aqui nesse espaço alguma manifestação de algum torcedor (cabeça de bacalhau) desse time ?
Kisifoda.
Grande Chico. Lúcido como sempre. Coelhão tem que abrir o olho. Tem muita gente que aparece na “crise” pra vender “lote na lua”.
Que o Coelhão ache uma saída real e racional. Futebol tá muito caro.
Nem os grandes aportes e investimentos dos grandes empresários Pedrinho Bh e Menim estão conseguindo impor sobre os desmandos do rubro negro carioca e do alvi verde de São Paulo.
Tempos sombrios. Muita equipe mediana do futebol brasileiro já tá entregando os pontos.
Abraço verde
Tenho a leve impressão que ajudei o América e alguns outros clubes por aí. Minha voz solitária contra o saque, o achaque, a roubalheira que foi feita no Atlético não ajudou meu time do coração mas não foi totalmente em vão. Entregar sede de Lourdes, Vila Olímpica, CT de Vespasiano, elenco de atletas profissionais e de base e um shoppinzinho de um quarteirão na zona sul de BH e, ao invés de pagar, triplicar a dívida do clube, né brincadeira não. Tá cheio de escroques querendo repetir esse esquemão bilionário.
Tem é q fechar logo as portas pro futebol, um time sem torcida nas arquibancadas não deveria nem existir.
Isso se tornou uma tática pra comprar clubes. O América sempre viveu da formação de jogadores e “ parece” que esqueceu a fórmula? Quando compraram o Galo como el estava ? Bem?