Foto: 7D
Uma dura nota, assinada pelo Carlos Rocha (Jacaré), diretor de esportes
do Mackenzie, com argumentos muito bem justificados.
Confira:
“Escrevo em nome do Mackenzie Esporte Clube para registrar, nosso profundo descontentamento com a condução das transmissões do Campeonato Mineiro pelo Sportv.
Recebemos a informação de que, na última rodada, será transmitida exclusivamente a partida entre Minas e Praia Clube e, sinceramente, é difícil compreender e aceitar essa decisão.
O Mackenzie não está questionando a relevância de Minas e Praia. O que questionamos é a postura adotada pela Federação diante de uma situação na qual seria perfeitamente possível — e, na nossa visão, necessário — brigar por uma distribuição minimamente igualitária da exposição entre os clubes.
A FMV poderia ter defendido que, se a Sportv não tivesse interesse em transmitir uma partida envolvendo o Mackenzie, então que não fosse feita nenhuma transmissão naquela rodada, em vez de simplesmente aceitar que apenas Minas e Praia fossem contemplados.
Isso seria, no mínimo, uma postura coerente com o discurso de fortalecimento e crescimento do voleibol mineiro.
E existe um agravante que torna essa situação ainda mais desagradável: a ponte entre a FMV e a Sportv para viabilizar as transmissões foi realizada pelo próprio Mackenzie, por meio da minha atuação direta nesse processo.
Ou seja, contribuímos para criar uma oportunidade de exposição para o voleibol mineiro e, posteriormente, somos informados de que, justamente no Campeonato Mineiro, o Mackenzie não terá sequer uma partida transmitida.
É uma situação, no mínimo, contraditória.
Na Superliga, competição nacional, o Mackenzie terá 7 partidas transmitidas pelo Sportv, enquanto Minas e Praia terão 8 partidas cada. A diferença é de apenas uma transmissão.
Se existe, portanto, espaço e interesse da Sportv em expor o Mackenzie em nível nacional, não conseguimos entender por que a Federação Mineira não poderia defender essa mesma exposição dentro do Campeonato Mineiro.
O que esperávamos da FMV era justamente uma postura mais ativa: que a Federação utilizasse sua posição para defender os interesses de todos os clubes, e não simplesmente aceitasse uma decisão que privilegia exclusivamente dois clubes.
Também é impossível não fazer uma reflexão sobre o próprio comportamento institucional da Federação. Em períodos eleitorais, o Mackenzie é constantemente procurado para discutir o crescimento e o desenvolvimento do voleibol mineiro, a necessidade de novos projetos, a profissionalização da modalidade e, principalmente, a importância de oferecer igualdade de condições aos clubes. Somos chamados para ouvir propostas, discutir mudanças e acreditar que existe um projeto de transformação e fortalecimento do voleibol em Minas Gerais. Entretanto, passado o período político, voltamos a nos deparar com as mesmas práticas e com o apoio direcionado, novamente, aos mesmos clubes. Isso gera, inevitavelmente, uma sensação de que o discurso de igualdade existe apenas quando é conveniente.
Além disso, é importante lembrar que assim como Minas e Praia, o Mackenzie também possui patrocinadores que precisam de exposição e retorno sobre seus investimentos. Não somos um projeto sem marcas a serem valorizadas. Pelo contrário: contamos com parceiros de enorme relevância e credibilidade, incluindo Grupo Lactalis, Ambev, JBS e Mart Minas, empresas que estão entre as maiores e mais reconhecidas marcas nacionais e internacionais de seus respectivos segmentos.
Há ainda um ponto que merece ser colocado na mesa: quando olhamos para a forma como a Federação Paulista conduz e valoriza sua competição estadual, fica evidente que existe uma capacidade muito maior de articulação para gerar exposição e atrair transmissões para o voleibol. O Campeonato Paulista consegue mobilizar diferentes parceiros de mídia e colocar seus clubes em evidência de maneira muito mais consistente. E isso não significa necessariamente que São Paulo tenha, hoje, mais força esportiva que Minas Gerais. Pelo contrário: na última temporada da Superliga, Minas Gerais colocou três equipes nos playoffs, enquanto São Paulo teve apenas duas. Ou seja, temos um Estado com enorme relevância esportiva e três projetos competitivos na elite nacional, mas que, na competição estadual, não consegue sequer garantir que todos esses projetos tenham uma oportunidade mínima de exposição.
A pergunta que fica é: se Minas tem clubes, atletas, patrocinadores e resultados para estar entre os protagonistas do voleibol nacional, por que a nossa própria Federação não consegue — ou não demonstra disposição para — lutar pela mesma valorização dentro do Campeonato Mineiro?
É exatamente esse tipo de postura que esperávamos da FMV.
Se o Campeonato Mineiro pretende ser uma competição que desenvolve e fortalece o voleibol do Estado, cabe à Federação criar condições para que novos projetos tenham visibilidade e possam crescer. Não existe crescimento de uma modalidade quando a exposição permanece concentrada sempre nos mesmos clubes.
O Mackenzie está fazendo sua parte. Estamos investindo, estruturando equipe, contratando atletas, profissionalizando processos, buscando patrocinadores e projetando um crescimento sustentável dentro do voleibol nacional.
Mas é muito difícil justificar internamente todo esse investimento quando percebemos que o clube não encontra, dentro do próprio Estado, o mesmo reconhecimento e a mesma oportunidade de exposição que encontra em uma competição nacional.
E isso, inevitavelmente, nos faz repensar o investimento e a própria projeção de crescimento do projeto.
Não estamos pedindo favorecimento. Estamos pedindo equidade.
E, se a FMV entende que não tem condições de garantir essa equidade junto à Sportv, entendemos que seria muito mais coerente não realizar nenhuma transmissão da rodada do que aceitar passivamente uma transmissão exclusiva de Minas x Praia, deixando o Mackenzie completamente fora da exposição.
Esperamos, sinceramente, que a Federação reveja essa postura.
O Mackenzie quer ser parceiro do voleibol mineiro e continuar investindo na modalidade. Mas parceria precisa ser uma via de mão dupla. Não podemos continuar cobrando investimento, profissionalização e crescimento dos clubes enquanto, na prática, as oportunidades de exposição e valorização continuam sendo direcionadas aos mesmos de sempre.
Gostaríamos também de entender quais foram os critérios utilizados nessa definição e, principalmente, qual foi a posição da FMV nas tratativas com o Sportv para defender a participação do Mackenzie nas transmissões.
A nossa expectativa era que a Federação estivesse ao lado dos clubes na defesa de um voleibol mineiro mais forte e mais democrático. Infelizmente, diante dessa situação, o sentimento que fica é exatamente o oposto.”
Atenciosamente,
Carlos Rocha
Diretor de Esportes
Mackenzie Esporte Clube

Mackenzie Esporte Clube



2 Responses
Parece que o Carlos Rocha não conhece Minas Gerais, não conhece o empresário e o político mineiro. Aqui, o jacu prefere ganhar um milhão sozinho do que ganhar dez milhões ao lado de outros que também levarão sua justa parte. Prefere ganhar suas fortunas explorando ônibus fedorentos do que permitir a modernização do transporte de massa. Seria demais pra sua mentalidade escrota ver o trabalhador se deslocando com rapidez e conforto, ver o trânsito em que ele próprio está incluído fluindo sem estresse. Ele gosta é de voltar da Europa e dos Istêitis babando bovinamente com o que viu por lá. No esporte, por exemplo. Veja a enorme mobilização para facilitar a construção do estádio do mengo. Aqui, o prefeito, justamente por ser atleticano, moveu céus e terras pra atrapalhar, atrasar, encarecer uma obra que só está impulsionando tudo direta e indiretamente envolvido com ela. Mas deixar que outros apareçam, levem mais glórias que eu? Nuuuunnnnca!!
O pior é que empresário mineiro é assim mesmo. Já advoguei para empresas em crise financeira, frequentemente conseguimos deságios de 90% da divida bancária, com honorários sobre a economia. Muitos desistiram do acordo pois o advogado ganhar o mesmo valor que iriam pagar ao banco era absurdo, na visão deles. Vai entender.