A Banda, ou: quando o futebol diminui as tensões e quase consegue unir o Brasil

Fotos: Fluxo Press

Obrigado ao fotógrafo Átila Kassius, da Fluxo Press, que nos enviou este artigo e essas fotos, que chamam para a reflexão. O Átila é um conterrâneo brilhante, que sempre colabora conosco, com fotos da melhor qualidade feitas no Mineirão, Independência, Arenas do Galo, do Jacaré e tantos outros estádios Minas e país afora.

A BANDA – A SELEÇÃO

* Por Átila Kassius

O que a Copa do Mundo não faz com o brasileiro!?

De quatro em quatro anos, mais precisamente entre junho e julho, o Brasil se une temporariamente em prol de um único objetivo: conquistar a sexta estrela.

Pois bem, nessa sazonal união, que universaliza credos, cores, times e, por alguns instantes, até as diferenças, esse espírito se faz presente nos jogos da seleção brasileira.

E isso me fez lembrar da música “A Banda”, de Chico Buarque. “Estava à toa na vida. O meu amor me chamou. Pra ver a banda passar. Cantando coisas de amor.”

A banda, nesse contexto, seria a seleção, sobretudo no segundo verso. “A minha gente sofrida despediu-se da dor. Pra ver a banda passar. Cantando coisas de amor.”

Uma perfeita alusão ao que acontece com os brasileiros nos dias de jogos da Copa do Mundo.

“…Minha cidade toda se enfeitou. Pra ver a banda passar cantando coisas de amor.”

Basta dar uma volta por qualquer cidade do Brasil, e até mesmo fora dele, para perceber essa estrofe em seu ápice.

Mas, infelizmente, quando o narrador constata o fim da passagem da banda, vê ressurgirem a mesmice, o individualismo e os clãs. “Mas, para meu desencanto, o que era doce acabou. Tudo tomou seu lugar. Depois que a banda passou”.

E que tal, depois que “a banda passar”, continuarmos com um só objetivo, só que dessa vez mantermos a frase atribuída a Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, como verdade absoluta, “se todos quisermos, poderemos fazer deste país uma grande nação”. Seríamos incomparáveis, a prova disso é o futebol.

* Átila Kassius – Ex-faxineiro, professor da Escola Técnica de Sete Lagoas (Eletrotécnica), repórter fotográfico (Arfoc-MG), Engenharia de manufatura na empresa OMR (Automação Industrial).

Rua Ângelo Vieira Martins – Bairro Luxemburgo – SL

6 Responses

  1. Interessante postagem, Chico. A polarização política do país esconde pautas que todos têm em comum: Mais segurança, menos impostos, dinheiro que rende, educação de qualidade. Esta última se vê em um abismo que levou a um abismo também moral na nação. As redes sociais levaram as pessoas a buscarem informação em bolhas e, ao formarem suas opiniões e tentarem debater e expo-las, sequer conseguem concatenar uma frase com coerência lógica e que demonstre pensamento crítico. São opiniões que partem de premissas completamente equivocadas como se fossem verdades absolutas, o que é agravado pela completa aversão à humildade e à abertura ao debate. É proibido mudar de opinião e aprender coisas novas. Por isso, infelizmente, não vejo qualquer saída para essa nação, que continuará refém daqueles que prejudicam o povo todos os dias.
    Pois o fazem achando bom.

    Por fim, gostaria de ressaltar que nenhuma Banda “canta coisas de amor”, pois são basicamente instrumentais. Um abraço!

  2. Querido Átila, sempre nos surpreendendo com seus múltiplos olhares: Na fotografia, na música, na literatura. Muito oportuna e provocadora sua reflexão! Sinto saudades de um Brasil mais unido e feliz, com mais respeito e amor.
    Ainda somos muitos na torcida por um Brasil vitorioso, além da “Banda” e da Copa do Mundo.

  3. Tão belas quanto as palavras do brilhante autor do artigo são as imagens por ele capturadas, imagens estas que ainda resplandecem em nossa memória. Ambas nos provocam a refletir sobre quem somos e no que nos tornamos. Deste modo, sob uma perspectiva otimista, acredito que a mensagem do autor nos convida a refletir que, ainda que apenas por breves momentos, conseguimos nos reunir em torno de um propósito comum, harmonizados pelo desejo de torcer pela Seleção Brasileira. Isso nos permite acreditar que a essência de um povo marcado por lutas, conquistas e glórias ainda permanece viva em nossos corações.

  4. Jogaço ontem, Portugal e Croácia!

    Croácia jogou muito, primeiro tempo, estratégia, e segundo tempo, partindo pra cima, tentando buscar a vaga, mas aí, com Cristiano Ronaldo, acaba pesando a qualidade de um craque.

    Hoje é a Argentina!

    Pega o Cabo Verde, uma das seleções mais fracas, mas porco magro é que suja água, tem que ter todo respeito do mundo, e jogar o jogo, seriamente.

    Ficar menosprezando adversário, no futebol, atual, costuma dar zerbra, a Espanha que o diga, empatou, achou que ia fazer gol, na hora que bem entendesse, e acabou perdendo chance em cima de chance, na fase de grupo, ainda não é eliminatória, e da tempo de corrigir, agora nessa fase, deixar ir para os penaltis, com um goleiro que vive bom momento, é complicado.

    Espanha, não deu nem chance para Áustria, venceu por dois a zero, mas poderia, ter sido mais!

  5. Chico, bom dia. Estive esta semana em Sete Lagoas, mais precisamente no bairro de Padre Teodoro, próximo a Arena do Jacaré, onde residem alguns parentes. Conforme uma tia minha, as ruas estão enfeitadas, uma belezura, churrasqueira a todo vapor, cadeiras e mesas espalhas, tinha duas TV’S ligadas, affff e ela não sabiam onde olhar kkkkkk, uma com Galvão Bueno que ela gosta muito e outra na CAZE TV para os mais jovens, mais ou menos 40 pessoas, homens, mulheres, crianças, os caramelos, gatos, papagaios, vizinhos que no cotidiano sempre estão com seus portões fechados e mal conseguem se ver durante a semana, talvez com um bom dia ou boa tarde. Mas ai Tia Marlene nos seus 79 anos solta esta bomba: Porque quando vem a tal Copa do Mundo o pessoal logo se reúne para as festas, mas não sai de casa para cobrar dos ladrões e corruptos que levam a população as mazelas diárias?? Não tive resposta para ela, pois nem mesmo Freud explicaria. A população se reúne para festejar o futebol e este esporte é com certeza absoluta a coisa menos importante na vida de um povo, mas não se reúnem para cobrar dos políticos condições melhores de vida, como saúde, educação, moradia, saneamento básico (somos uma vergonha mundial nisto), trabalho, renda e demais situações que podem melhorar a vida de todos. E talvez minha tia morra sem entender. A expressão “pão e circo” (panem et circenses) define a clássica estratégia romana de usar a distribuição de alimentos e o entretenimento (coliseu) de massa para anestesiar a população, conter insatisfações e desviar o foco de problemas estruturais, garantindo a estabilidade política no poder. Brasil, com certeza!!!! OS: Para não dizer que não falei de futebol, França e Argentina vão caminhando para fazer a final. E que jogão ontem, Portugal e Croácia.

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