Muita gente fica confusa sobre paraolimpíada e paralimpíada: questão de hipocrisia e dinheiro

Ou: o esporte como máquina de fazer dinheiro, custe o que custar, principalmente para os bolsos das entidades que o comandam e dos cartolas.

O boxeador baiano Robson Conceição, medalha de ouro na Rio’2016 vai se profissionalizar e com isso não disputará a Olimpíada de Tóquio em 2020. Os locais das competições olímpicas não podem ter nenhuma publicidade. Essas e inúmeras outras ações são determinadas pelo Comitê Olímpico Internacional, em nome do “espírito amador” da competição. Amador uma ova! Olimpíada dá mais lucro que Copa do Mundo, o COI enche mais os seus cofres do que a FIFA, os esportes que remuneram os atletas mais caros do mundo estão presentes na disputa. O nadador mentiroso dos Estados Unidos, perdeu, só em patrocínios, mais de 10 milhões de dólares, por causa da palhaçada que aprontou. Até a palavra paraolimpíada foi mudada pelo COI, para “paralimpíada” para que seja exclusiva do órgão e renda mais dinheiro pelos direitos de comercialização. Uma hipocrisia sem tamanho!

Enquanto isso o presidente do COI, o alemão Thomas Bach, foi intimado para explicar a troca de 65 e-mails com o cambista irlandês e ex-presidente do Comitê Olímpico da Irlanda, Patrick Hickey, preso no Rio, acusado de chefiar a máfia da venda de ingressos da Olimpíada carioca.

O professor Pasquale Cipro Neto, explicou a origem da palavra paraolimpíada e a invenção de paralimpíada, na coluna dele na Folha de S. Paulo:

* “’Paraolimpíada’ ou ‘paralimpíada’?”

Enquanto escrevo este texto, a cerimônia de abertura da Paraolimpíada (ou Paralimpíada?) está em pleno curso. Na maior parte dos sites, jornais e emissoras de rádio e TV, predomina a forma “Paralimpíada”, como desejam os comitês oficiais (o Olímpico e o Paralímpico). Na Folha e no UOL, a forma empregada é “Paraolimpíada”, como determinam os cânones da língua.

Não quero me meter na discussão sobre as razões que o Comitê Paralímpico Internacional (International Paralympic Committee) tem para exigir que se suprima o “o” de “olympic” e, consequentemente, de “olímpico” na formação do nome do seu comitê em inglês, português etc. Parece que o que motiva o CPI (IPC, no original) a impor a supressão do “o” é algo de fundo comercial e sabe Deus mais o quê.

O que temos em “paraolímpico” (ou “paralímpico”?) é a formação de um termo que resulta da soma do elemento grego “par(a)-” com o adjetivo “olímpico”. De acordo com o “Houaiss”, o elemento “par(a)-” ocorre com a noção de “junto”, “ao lado de”, “ao longo de”, “para além de”, o que se vê em vocábulos como “paramédico”, “parapsicologia”, “paratireoide”, “paranormal” etc.

A Paraolimpíada (ou Paralimpíada?) não é a Olimpíada, mas segue muitos dos seus ritos (os esportes, as premiações, as cerimônias, o espírito que norteia as competições etc.), ou seja, é algo paralelo à Olimpíada, daí o nome levar o “par(a)-“.

Pois bem. Chegamos ao xis da questão: a supressão do “o”.

“Portuguesmente” falando, essa supressão do “o” não faz o menor sentido, já que, na nossa língua, o que pode ocorrer é a supressão da vogal final do primeiro elemento e não da vogal inicial do segundo elemento.

Vejamos: de “hidr(o)-” + “elétrico” tem-se “hidroelétrico” ou “hidrelétrico” (e não “hidrolétrico”); de “gastro-” + “intestinal” tem-se “gastrointestinal” ou “gastrintestinal” (e não “gastrontestinal”). Poderíamos, pois, ter também “Parolimpíada” e “parolímpico”.

Muitos desses vocábulos que resultam da supressão da vogal final do primeiro elemento (como “gastrenterologista”, “gastrenterologia”, entre tantos outros) podem causar surpresa, estranheza etc., o que talvez decorra da maior ou menor incidência desta ou daquela forma.

Mais surpresa ainda causam formas que surgem de um processo que não é da língua, como o que se vê em “Paralimpíada” e “paralímpico”. Espúrias, essas formas contradizem o que é natural no nosso idioma, fato que justifica a opção da Folha e do UOL pelas formas vernáculas.

O “Houaiss”, o “Aulete” e o “VOLP” ignoram solenemente as formas impostas pelos comitês internacionais, ou seja, só registram “paraolímpico” e “Paraolimpíada”.

Aproveito para lembrar um caso que não é propriamente semelhante, mas tem alguma afinidade. Refiro-me à Petrobras, que, quando fundada, era “Petrobrás”, e assim ficou até a década de 90, quando perdeu o acento agudo. Os argumentos foram bizarros. Um deles dizia que “não existe acento em inglês”. De acordo com esses gênios, investidores internacionais poderiam achar que se tratava de um apóstrofo (“Petrobra’s”), o que poderia fazer um gringo achar que…

Haja bobagem! Como se sabe, a suíça Nestlé nunca prosperou em canto nenhum do mundo justamente por causa do acento… É isso.

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/pasquale/2016/09/1811218-paraolimpiada-ou-paralimpiada.shtml

4 Responses

  1. Chico,
    Gostaria de participar das importantes discussões aqui do blog, mas infelizmente eu agora terei que trabalhar 12 horas por dia, logo, não terei mais tempo para batermos papo aqui.

    Vou ali, vestir a minha camiseta da CBF e bater uma panela na varanda para ver se a minha situação muda….apesar de ser um dos milhões de Cunha em Belo Horizonte, percebe que não tem os privilégios do meu mestre!!!

  2. Chico,é tão dificil,dá tanto trabalho que o Nuzman,alem de não largar o osso,ainda leva aqueles ex atletas que nunca fizeram quase nada,pra junto dele,ex; Marcos Vinicius, ganhou o que? á tá bom foi medalha de prata mas jogando com quem.ai meu velho até este gordinho aqui ficava na reserva,outra coisa o que tem de ex na boquinha de pegar o cob meu Deus,e pegando a tal boquinha advinha quem sera o principal consultor o que esta a mais de vinte anos com o osso mas cheio de tutano( não é tutu mesmo muita grana,muita mordomia,Chega deste continuismo que esta matando o esporte assim como a cbf e os seus eternos colabores com autos salários

  3. Parabéns ao Pasquale, um dos meus ídolos.
    O que me dá tristeza não é ouvir os repórteres pronunciarem esse termo ridículo (“paralimpíadas”), pois são obrigados a tal. Mas sim conversar com pessoas que falam assim só porque assim falam na televisão ou no rádio.

    O jornalista Alexandre Garcia tem sido um dos poucos a bater forte nisso aí.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *