Com a impunidade reinante, acabar com as facções organizadas não acabará com os crimes em torno do futebol

É desanimador ter reafirmada a convicção de que somos o país da impunidade, devido à omissão e interesses escusos de muitas autoridades policiais, judiciárias e do esporte. Assassinos e outros tipos de marginais continuam infernizando a vida de quem gosta de ir ver futebol nos estádios e até de quem não tem nada com o assunto. Mais um morto e cenas de selvageria inacreditáveis contra o patrimônio público entre corintianos e palmeirenses em São Paulo. Junto aos corintianos, dois que estavam no assassinato do boliviano Kevin Espada, 14 anos, em 2013 na cidade de Oruro. Impunes lá e cá!

Aí surge novamente a conversa de acabar com as torcidas organizadas, que nunca vai se concretizar, além de ser uma bobagem. O ideal é punir exemplarmente qualquer marginal que apronta nos estádios ou longe deles em nome de um time de futebol. Se os rigores das leis fossem aplicados a esses elementos, raramente teríamos alguma ocorrência grave.

O que temos é gente demais se aproveitando dessas facções criminosas. Além dos dirigentes dessas organizações, dirigentes de clubes e agentes públicos. Um Promotor de Justiça de São paulo ficou famoso como “paladino” do combate às organizadas, propondo o fim delas e bla, bla, bla… Daí a pouco, graças à popularidade adquirida, elegeu-se deputado estadual, virou presidente da Assembleia e hoje responde processo sob a acusação de desvio de merenda escolar.

Na época dos 12 corintianos presos em Oruro a diretoria do clube moveu mundos e fundos, recorreu até a autoridades federais em Brasília para aliviar a barra dos acusados pelo assassinato do garoto. Semanas atrás o presidente do São Paulo, na maior cara de pau, defendeu as facções que militam no clube dele, confessando inclusive que as ajuda.

E tem gente que ainda quer que eu acredite que este país tem jeito! Só se for daqui a alguns séculos!

5 Responses

  1. Num país onde ainda vigora um código penal datado do século passado quando tínhamos cerca de 1/4 da atual população, onde ainda os ditos “dimenores” são escandalosamente protegidos pelo famigerado estatuto da criança e do adolescente, onde algumas de nossas autoridades constantemente dão o “exemplo” de desvio de verbas públicas que poderiam ser empregadas em áreas mais carentes (segurança pública, moradia, saúde…), inclusive de verbas destinadas à merenda escolar (vide caso “Laranja com Pequi) e outros absurdos envolvendo autoridades dos 3 poderes da república, a impunidade infelizmente predominam!
    – Punindo exemplarmente àqueles que dão péssimos exemplos à sociedade, aí sim acredito no Brasil… mas a lei de Gerson e o jeitinho brasileiro ainda imperam, prevalecendo até mesmo sobre a “você sabe com quem está falando?” ou “vc conhece meu pai?”.
    – É muita cara de pau, muitos aproveitadores, aliados à abusos de autoridade e de poder, todos movidos pelo poder aquisitivo e pela “necessidade” de aparecer na mídia. E a culpa é de quem? de todos nós que “admiramos” quando agridem um policial e um professor, e somos incapazes de agradecer àqueles que em nossa ausência, chamam a atenção de nossos filhos lhes mostrando como se deve portar em sociedade! Inversão de valores no Brasil é mato e infelizmente está enraizado em nossa cultura que trocar o voto por alguma outra “vantagem” (cimento, areia, alimento, vestuário…) ainda vele à pena, infelizmente!
    – Até no esporte há desvio de conduta impuníveis e perseguições à quem “ousa” peitar as arbitrariedades da CBF e sua comissão de arbitragem, além do STJD, que são entidades que desconsideram escandalosamente o direito constitucional de manifestar-se desde que não haja anonimato! Que país é esse?
    – #benecyeternomito

  2. ssp paulista e ‘otoridades (in)competentes em exaustiva(ufaaa !!!) reunião, tomaram medidas que irão coibir e exterminar de vez com esses atos .Determinaram que até a final do paulistão,’crássicos’ serão disputados com torcida única. Lembrando caro Chico, que estes confrontos que culminaram com a morte de um sr. de 60 anos que nada tinha a ver com nada – mais um para a ser contabilizado no absurdo ranking de mortes idiotas no país – não ocorreram no entorno do estádio e sim à mais ou menos 30 e tantos Km de distância e em um local de uso público . Diante de tantos barbáries diários que aos poucos vão se tornando comuns,corriqueiros e sei lá mais o que , uma constatação : – o “cer” (h)umano deu errado e quem tem poder de usar as ferramentas existentes – jurídica e moralmente falando – para por um fim nisto tudo, deram mais errado ainda. Que deem descarga neste mundo cheio de jeitinhos e tapinhas nos ombros, e recomecem do zero ,se é que ainda há tempo para isto …!

  3. Pois e pela menos em uma coisa a torcida do pirangi acertou, o Dr ” brigou “com torcida organizada fazendo campanha e não conseguiu se eleger, parabéns a torcida azul !!! e que fique o exemplo para a torcida do Galo pq vao aparecer muitos para usar o nome do Galo em eleição.

  4. Assassino do cartunista Glauco é morto em presídio de Goiás… À época foi condenado, a justiça o soltou por problemas mentais e ele matou mais dois… Que sabemos! Leandro o torcedor corintiano preso em Oruro, já se envolveu em outros delitos… Atropelador de ciclista, que jogou o braço da vítima num córrego em São Paulo, vai ser solto Quase todos os assassinos, assaltantes, delituosos, enfim meliantes, tem 15 ou 17 passagens… Redundante, você disse tudo, falta cadeia para esse povo. A impunidade faz a reincidência! A polícia prende, a justiça manda soltar. Advogados espertos sempre acham brechas nas leis e soltam os caras. Umas das táticas, bandidos choram diante das câmeras e a sociedade se comove…Por mais hediondo que seja seu crime, todo marginal tem direito a defesa e eles sempre conseguem liberdade, inclusive por falta de presídios. O advogado que se negar a defender um bandido é punido pela OAB, é lei. Por outro lado, o futebol capitalizado está cheio de bandidões lavando sua corrupção e os bandidinhos são seus tentáculos, cabos eleitorais, seguranças, etc. O Brasil está virando terra de ninguém!

  5. Olá Chico Maia, no nosso país todos são “vítimas”; o máximo que dá para fazer é um Globo Repórter para celebrar as “culpas coletivas”, afinal, ninguém vai punir todos.
    Nas organizadas de maior destaque geralmente se reúnem aqueles que se acham melhores torcedores que os demais e que, por se envolverem em brigas “pelo clube”, chamam os outros de “elite”, “torcedor de sofá” e coisas do tipo. Tudo engodo: estes “ungidos” costumam viajar com patrocínio do clube e se acham no direito de exigir ingresso grátis.
    Essa turma violenta é idolatrada no seio das facções a que pertence; tá cheio de gente sem noção, como “carneiro dando marradas”, doida para ser admitida no grupo dos “tiradores de onda” que lidera as coisas em prejuízo do clube preferido e do futebol.
    Roberto Cabrini, no Programa Conexão Repórter, realizou uma matéria reveladora do ambiente em torcidas organizadas de São Paulo; um infiltrado conviveu em torcidas organizadas de Corinthians e Palmeiras e exibiu, com gravações, o abuso de drogas, a programação de encontros para prática de rixa, os privilégios dos líderes, o incitamento ao confronto, o furto e o roubo nos restaurantes de beira de estrada e até confissão de assassinato. Contudo, com diz o “único recruta do passo certo no pelotão”, as organizadas possuem ótimos trabalhos e títulos reconhecendo a sua “utilidade pública”.
    Ninguém será preso por causa de brigas, intolerância e confusões, salvo e houver homicídio ou outro crime “mais grave”. A legião de críticos fica a postos para desqualificar qualquer intervenção que vise a colocar algum limite na baderna. Ademais, a “Lei da Cesta Básica” é a panaceia que responde a todos os males; então, para que se preocupar em dotar o sistema legal de instrumento que permita alguma ação contra este estado de coisas.
    Estamos evoluindo gradativamente para cenário pior: de uma briga ou outra para confrontos em vários pontos da cidade; de público dividido para torcida única; de grandes públicos para testemunhas; de brincadeiras e gozações para ódio aos rivais; de divisões de torcidas para murros e barricadas… Em pouco tempo serão jogos de uma só equipe, para decisões na “pratinha” ou WO.
    Este estado de coisas só mudará se mudarem as pessoas que integram as organizadas; enquanto a turma puder continuar culpando “eles”, os “outros”, a polícia… nada mudará. Então, como vale só o “cobrar geral” e ninguém abre mão de nada, não leva desaforo para casa, não engole sapo, resta apenas esperar o Zorro ser preso.

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