Ano Novo: verdade verdadeira de Carlos Drummond de Andrade

* “Cortar o tempo”
Carlos Drummond de Andrade

Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e
outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente.

Será que vai?
Temos de acreditar que sim

* Feliz 2013 a todos, e obrigado ao Marcio Amorim, que nos enviou este texto do grande poeta!

9 Responses

  1. Temos 2 vidas…A que vivemos e a que sonhamos…Viver intensamente,sonhando com a realidade..A vida é muito curta para ser gasta nutrindo animosidades ou registrando erros..FELIZ ANO NOVO A TODOS COLEGAS DO BLOG DO CHICO MAIA..

  2. Vez ou outra, nos bate o desânimo, desesperãnça, medos e estecetera, isso é inerente ao ser humano, o importante é reativar nossa fé e acreditarmos em dias melhores, em meio a essa aternância emocional um dia escreví:
    EXTERNANDO

    Meu barco tripulado em sentimentos, navega em aguas tão distantes,
    a calmaria de outrora levada pelo vento, compromete a alegria que dissipa num instante.

    As asas de meus sonhos que voavam muito além, enrijeceram-se com o tempo que não perdoa o esperar, não tracei objetivos culpa minha e de nimguêm, porém luto como guerreiro, para luz do candeeiro nunca, nunca se apagar.

    Minha vida que trotava em mansidão de paisagem, dispara em galopada sem ter rumo nem porque, o relógio em frigidez sem intervalo nem paragem, acelera meu destino angustiando esse menino que queria ser o quê.

  3. Complemento:
    O quê? Depende de resposta, e se a espero acredito no futuro, então rompo este muro, com sabedoria alcançada, estupidez extirpada, ignorância envergada, e conciência elevada de uma paixão desvairada por uma vida almejada que sempre, sempre quis viver…

  4. Já que citaram Drummond. Segue aí um dos poemas mais belos de sua autoria:

    Resíduo

    De tudo ficou um pouco
    Do meu medo. Do teu asco.
    Dos gritos gagos. Da rosa
    ficou um pouco

    Ficou um pouco de luz
    captada no chapéu.
    Nos olhos do rufião
    de ternura ficou um pouco
    (muito pouco).

    Pouco ficou deste pó
    de que teu branco sapato
    se cobriu. Ficaram poucas
    roupas, poucos véus rotos
    pouco, pouco, muito pouco.

    Mas de tudo fica um pouco.
    Da ponte bombardeada,
    de duas folhas de grama,
    do maço
    – vazio – de cigarros, ficou um pouco.

    Pois de tudo fica um pouco.
    Fica um pouco de teu queixo
    no queixo de tua filha.
    De teu áspero silêncio
    um pouco ficou, um pouco
    nos muros zangados,
    nas folhas, mudas, que sobem.

    Ficou um pouco de tudo
    no pires de porcelana,
    dragão partido, flor branca,
    ficou um pouco
    de ruga na vossa testa,
    retrato.

    Se de tudo fica um pouco,
    mas por que não ficaria
    um pouco de mim? no trem
    que leva ao norte, no barco,
    nos anúncios de jornal,
    um pouco de mim em Londres,
    um pouco de mim algures?
    na consoante?
    no poço?

    Um pouco fica oscilando
    na embocadura dos rios
    e os peixes não o evitam,
    um pouco: não está nos livros.

    De tudo fica um pouco.
    Não muito: de uma torneira
    pinga esta gota absurda,
    meio sal e meio álcool,
    salta esta perna de rã,
    este vidro de relógio
    partido em mil esperanças,
    este pescoço de cisne,
    este segredo infantil…
    De tudo ficou um pouco:
    de mim; de ti; de Abelardo.
    Cabelo na minha manga,
    de tudo ficou um pouco;
    vento nas orelhas minhas,
    simplório arroto, gemido
    de víscera inconformada,
    e minúsculos artefatos:
    campânula, alvéolo, cápsula
    de revólver… de aspirina.
    De tudo ficou um pouco.

    E de tudo fica um pouco.
    Oh abre os vidros de loção
    e abafa
    o insuportável mau cheiro da memória.

    Mas de tudo, terrível, fica um pouco,
    e sob as ondas ritmadas
    e sob as nuvens e os ventos
    e sob as pontes e sob os túneis
    e sob as labaredas e sob o sarcasmo
    e sob a gosma e sob o vômito
    e sob o soluço, o cárcere, o esquecido
    e sob os espetáculos e sob a morte escarlate
    e sob as bibliotecas, os asilos, as igrejas triunfantes
    e sob tu mesmo e sob teus pés já duros
    e sob os gonzos da família e da classe,
    fica sempre um pouco de tudo.
    Às vezes um botão. Às vezes um rato.

  5. Prezado Chico, assim como a maioria dos textos atribuídos a grandes autores que são citados na grande rede, este texto não foi escrito pelo Carlos Drummond. O estilo (mais para auto-ajuda) não se assemelha em nada ou da poesia do Drummond.
    De qualquer forma, feliz 2000 e Galo pra todo mundo!
    Saudações!

  6. Mudando de assunto, lembro-me em 2005 quando houve um grande alvoroço em cima da cereja do bolo…
    Tô achando que esse papo vai dar em nada! Já se começa a ouvir por aí que reforço é renovar com o Ronaldinho e Bernard. Todo mundo sabe que o Atlético não ganhou o campeonato porque não teve um ataque goleador. Tanto Danilinho quanto Jô erraram tudo e os reforços ficaram de uma necessidade evidente!
    Voltando a 2005 se esquentou o assunto Roque Santa Cruz e quem acabou sendo apresentado na cidade do Galo foi o Fábio Junior que não chegou a completar o primeiro turno! Quando oTardelli se foi criou-se uma espectativa em seu substituto, para decepção de todos atleticanos apareceu Magno Alves! Deu no que deu…

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