“Tombamento de sede livra América de despejo”

Ainda bem que a manchete é do jornal O Globo e se refere ao América do Rio. Mas o nosso América já passou por momentos dramáticos como este e felizmente deu a volta por cima, e hoje é um dos clubes mais sólidos e bem administrados do Brasil.

A realidade do clube carioca é a mesma da maioria dos clubes de futebol do país, grandes, médios e pequenos, vítimas de cartolas incompetentes ou ladrões, que se aproveitaram ou geriram mal os interesses coletivos dessas instituições.

Como os braços da Justiça não alcançam devidamente o mundo do futebol em nosso país, a impunidade toma conta de forma mais avassaladora. O torcedor, cego de paixão e mal informado, ainda costuma dar mandatos legislativos e executivos aos seus algozes. Ficam ricos, ganham imunidade parlamentar e ainda saem dizendo que sacrificaram as suas vidas particulares e de suas famílias, na maior cara de pau.

Raros dirigentes foram responsabilizados por seus crimes à frente dos clubes. Na cadeia, nenhum; nunca!

Quando o clube é muito grande e tem força popular, consegue administrar suas dívidas e negociar em boas condições com os credores, usando de sua força política.

Quando é médio ou pequeno, como o América, recorre aos poderes públicos, e costuma encontrar respaldo para se safar, como essa alternativa encontrada pela prefeitura do Rio, em nome da “tradição”.

O cidadão paga, com o que lhe é tomado em forma de impostos. E é chamado de “contribuinte”.

Isso sempre ocorreu em todo o Brasil, e o exemplo mais gritante e absurdo foi agora, quando o então presidente Lula deu um estádio ao Corinthians, usando da força do cargo e do poder de influência para atrair grandes empreiteiras e renúncias fiscais, municipais, estaduais e federais para que o Itaquerão saísse do papel.

E vamos que vamos:

No O Globo, de ontem:

* “Tombamento de sede livra América de despejo”

Imóvel centenário na Tijuca passa às mãos do poder público, mas o clube de futebol, que será indenizado, continua no terreno

AMERIO
RIO – O fantasma do despejo deixou de rondar a sede do América Football Club. Por considerar a agremiação esportiva da Tijuca de grande importância histórica para a cidade, o prefeito Eduardo Paes decretou nesta terça-feira o tombamento definitivo do imóvel centenário da Rua Campos Sales 118. Paes, que já havia tombado provisoriamente o prédio em fevereiro de 2010, assinou mais dois decretos que vão impedir a sua descaracterização: um de uso e ocupação, que restringe a utilização da construção para fins esportivos, recreativos e de lazer, e outro que declara a edificação de utilidade pública para fins de desapropriação. Segundo a prefeitura, a sede do América passará para as mãos do poder público, que indenizará o time num valor ainda a ser definido. O clube, no entanto, permanecerá no terreno.
No decreto de tombamento, o prefeito justifica que o “América Football Club é um dos clubes mais tradicionais do Rio de Janeiro e foi a inspiração de nome para todos os outros ‘Américas’ do Brasil”.

— O que eu fiz foi o necessário para evitar o leilão. Agora, vamos estudar a melhor alternativa para o América — afirmou Paes.

Com dívidas que somam R$ 21 milhões (R$ 5 milhões só de causas trabalhistas e R$ 1,2 milhão em contas da Cedae), o clube vem tentando sanear o caixa, segundo o presidente Vinicius Cordeiro. Ele diz que, a partir de agora, terá novo fôlego para reerguer o América, que atualmente joga na série B do Campeonato Estadual:

— O prefeito Eduardo Paes soube da situação, ficou sensibilizado e decidiu ajudar o clube com o tombamento. Vencemos mais uma batalha, mas ainda temos muito pela frente .

Segundo Cordeiro, a sede seria leiloada por causa de uma dívida de R$ 938 mil contraída entre 1997 e1999, por determinação da 6 Vara de Fazenda Pública do Rio. Já as dívidas previdenciárias de 2006 a 2011 foram pagas, e o clube está negociando outras. De acordo com o presidente, a solução de leiloar o imóvel, avaliado em R$ 20 milhões, para pagar a dívida de R$ 938 mil não foi aceita pela Justiça porque, no passado, outras administrações tinham negociado parcelamentos e não cumpriram o acordo. Ainda segundo Cordeiro, nos últimos 12 meses o clube tem feito melhorias na sede e reabriu escolinhas de esporte e o teatro.

— Vamos receber entre R$ 16 milhões e R$ 20 milhões de uma ação na Justiça contra a Eletrobrás por conta de patrocínio. Já ganhamos a causa e só estamos aguardando a execução. Pretendemos pagar nossas dívidas — garante, acrescentando que no último ano o número de sócios passou de 412 para 900.

O América foi fundado em 1904, a partir de uma cisão no Clube Atlético da Tijuca. Sua primeira partida oficial aconteceu em 6 de agosto de 1905, num amistoso com o Bangu Atlético Clube. A sede principal está no mesmo endereço há 101 anos. Ali ficava o primeiro estádio do clube, que teve capacidade para 25 mil espectadores. Em 1993, o terreno do campo de treinamento do América, no Andaraí, foi vendido e, com o dinheiro, o clube construiu um novo estádio em Édson Passos, na Baixada Fluminense. O último título conquistado pelo clube foi em 1982.

‘Torcer, torcer, torcer até morrer’

O América já foi o segundo clube de todo mundo e, antes disso, o primeiro de muita gente. Numa época em que os clubes de futebol realmente representavam o bairro onde tinham sua sede, a maioria dos tijucanos torcia por ele. Pela simpatia, pelo carisma e por algumas lendas que fazem do futebol a mais encantadora das mitologias brasileiras. Um exemplo: Belford Duarte. Aos olhos do torcedor de hoje, parece impossível ter existido um jogador de futebol capaz de confessar ao árbitro que realmente cometera um pênalti que o árbitro não vira. Ética assim vale mais do que o prêmio que passou a ter seu nome, dado aos cada vez mais raros jogadores de bom comportamento.

Quando ganhou o Campeonato Carioca de 1922, tornando-se o “campeão do centenário”, o América era presidido por um senhor elegante, distinto como Belfort Duarte, que morreria num desastre de trem. Seu nome: Raul Meirelles Reis. Tinha um filho muito inteligente, América também, com passagem pela linha média do time de juvenis. Seu nome: Mário Reis. Pois o cantor famoso, que criou o modo brasileiro de cantar, 30 anos antes de João Gilberto, foi dos mais ilustres e apaixonados torcedores do clube. Tanto ou mais até seu grande amigo Lamartine Babo, autor do hino do clube, aquele em que promete torcer, torcer, torcer até morrer, e que foi calcado numa canção americana de 1912. Ambos, não por coincidência, moradores da Tijuca. Depois, a ideia de bairro, de esquina, de moradores orgulhosos de onde vivem, foi se diluindo em meio ao crescimento da cidade. Mário Reis, por exemplo, foi morar no Copacabana Palace. E o próprio clube da Rua Campos Sales foi mudando de pouso. O América deixou de ser o primeiro clube de muita gente e, sofrendo no purgatório da segunda divisão carioca, talvez já não seja o segundo. Torçamos até morrer para que volte a ser.

http://oglobo.globo.com/rio/tombamento-de-sede-livra-america-de-despejo-5497353#ixzz214ThM64C

13 Responses

  1. Bom dia,
    ‘E possivel levar faixa para o estadio do Independencia? Onde compro ingresso para o jogo do America X Guarani? Obrigada

    – Belo Horizonte

  2. O caso do mequinha de lá é o mesmo dos outros clubes fluminenses. Se tem um lugar onde o povo é totalmente desorganizado este lugar é o Rio de Janeiro.

    Só não entendo como que a Unimed coloca tanto dinheiro no Fluminense. Este Celso Barros deve ter uma dúzia de contas em determinados países. Mas uma hora a verdade acaba aparecendo. Alias, deve ser por isto que o plano de saúde desta operadora conseguiu ficar pior que o SUS.

  3. Chico , algumas coincidencias do Alvirrubro carioca com o Setelagoano , alem das cores ,a era ,os problemas , dividas , leiloes , etc .
    Pena que estas coincidencias não estedam pela prefeitura e prefeito daqui , que como no Rio tiveram a sensilidade em enxergar toda uma historia de um Clube que por descuido e desleixo quase chega ao FIM.
    ab.

  4. Caro Chico, como vai?

    Tenho acompanhado seu blog diariamente e lhe cumprimento pela seriedade e compromisso com o torcedor. Parabéns!

    Para o jornal Sete Dias, gostaria de lhe sugerir uma pauta: contar a história da Viação Freitas. A pequena empresa, tradicionalíssima em Papagaios e Sete Lagoas, acaba de vender suas duas linhas DER, entre as cidades, para a gigante Saritur. Fato que ocorreu umas três semanas atrás, depois do falecimento do seu fundador, seu Custódio.

    Caso queira, tenho fotos da frota, incluindo um ônibus clássico: um conservadíssimo Ciferal ano 1975, daqueles que se viam em todas as empresas nos anos 1970, e em plena atividade!

    Um abraço,

    Bruno Freitas – BH

  5. Apenas uma pergunta…porque todo time que tem o nome de América vive essa sina?! Basta olhar ao longo da história, estão sempre em dificuldades.É uma peleja danada para sobreviverem..torcidas escassas. Estão sempre agonizando. O engraçado é que são todos os Américas. Parece maldição, cruz credo.
    De qualquer forma, o nosso América é o melhor deles.
    Quantos Américas existem no Brasil? É uma boa pesquisa.
    Abraços aos “poucos mas fieis” torcedores, como diz a propaganda do Centenário alvi-verde.

    Luiz

  6. olá chico, assistindo o jogo pela televisão da a impressão de que o independencia é inferior em dimensão aos demais gramados. É verdade? confirma isso.

    – govrrnador valadares

  7. O problema é sempre do nosso DN(H), H de hipocrisia, pois vejamos:
    Pelo que sei, o Galo recebeu de volta o terreno desapropriado do antígo estádio de lourdes, pelo fato de que a prefeitura não deu um objetivo posterior à desapropriação, nós atleticanos achamos ruim? lógico que não, porém sempre desconfiamos que foi uma manobra um tanto quanto “estranha”.
    Um ex governador, que detesto pronunciar o nome, fez um acordo meio que esquesito, repassando o independência para o América M.G. como Galo e raposa não gostaram, me falaram que o mesmo político adoçou ou deu um cala boca para os outros times, e eles se calaram e nós também.
    No caso do AméricaR.J., a prefeitura tomba seu estádio evitando o despejo e projeta uma indenização, é bonito isso? Acho que não, pois como é que ficam as ações trabalhista que deveriam ser priorizadas?

  8. Chico Maia,
    Tendo em vista que o goleiro Dida, ídolo do Cruzeiro e de sua imensa torcida, está prestes a se aposentar, a diretoria do Cruzeiro deveria propor ao jogador que o último jogo de sau carreira fosse com a camisa do time celeste. Seria uma forma do clube homenagear um dos maioreis goleiros de sua história conquistando 8 títulos em quatro anos de clube.

    – Montes Claros

  9. E os que os irmaos perrella fizeram no cruzeiro, ninguem fala nada, mas a administração deles trouxe um balanço negativo ao caixa, e eles tambem nao estao na cadeia….

  10. Oi Patrícia!
    Ingressos podem ser comprados no próprio Independência, durante todo o dia e antes do jogo.

    Só que antes do jogo, abrem apenas uma bilheteria e muitos ficam por ali, tomando duas, e deixam para comprar na última hora.

    Há também uma loja num posto de gasolina, na praça, lá no final da Avenida Bandeirantes, que vende.

    Sobre faixas e bandeiras, parece-me que estão proibidas, mas não posso lhe afirmar com segurança.

  11. O América de Minas estava abandonado e quase desapareceu em 2007. Já aconteceu uma crise semelhante no Atlético, que esteve perto de penhorar a sede do clube e o troféu de 71. O Cruzeiro também corre riscos de perder alguma coisa graças às pilantragens dos irmãos Perrellas.
    Os clubes cariocas sem comentários, o principal quarteto carioca além do America local está atolado em dívidas e infraestrutura precária.
    Como pode um time da grandeza do Flamengo, que possui a maior torcida do Brasil, seis vezes campeão brasileiro, campeão mundial e ainda é afilhado da Rede Globo, estar com finanças arruinadas e não possuir infraestrutura suficiente para praticar futebol?

  12. Esse clube, o América do Rio junto com a Portuguesa de Desportos foram uma verdadeira asa negra na história do Atlético. O Galo dava um azar danado contra eles. Infelizmente como o América Mineiro e o Nautico, todos estão todos nesse processo de decadência. A CBF se fosse mais ciente do que esses representam no Brasil, deveria realizar campeonatos em que esses clubes deveriam participar. São história do futebol do Brasil.

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