Em tom de chantagem, oito clubes pressionam governo para não restringir as bets e exageram no título da nota: “O fim do futebol brasileiro”

x.com/Botafogo

Palmeiras, Santos, São Paulo, Botafogo, Flamengo, Fluminense, Vasco e Cruzeiro assinaram a nota oficial. Corinthians, Atlético, Remo, Mirassol, Chapecoense, Athletico, Bahia, Coritiba, Grêmio, Internacional, RB Bragantino e Vitória, não assinaram. Pelo menos, ainda.

Os oito são contra a Medida Provisória preparada pelo governo federal que quer a proibição de jogos online e várias restrições às apostas no futebol.

Emitiram nota intitulada “O FIM DO FUTEBOL BRASILEIRO”, em caixa alta, para carregar nas tintas o tom de drama, como se isso fosse verdade. Clube nenhum fecha ou fecharia as portas, sem a participação das bets na vida deles.

O que precisam fazer é parar de gastar mais do que arrecadam; parar de buscar velhos rodados e repatriar jogadores em fim de carreira que atuam na Europa. Nossos clubes querem pagar salários que os europeus pagam a jogadores, treinadores e executivos de futebol. Suas estruturas no departamento de futebol são gigantes, com funcionários a mais que deveria, fazendo lembrar grandes estatais.

A irresponsabilidade de muitos dirigentes é gritante, não é de hoje, o que leva os clubes à falência ou permanente estado de penúria. Alguns exemplos: o São Paulo até hoje paga ao ex-lateral Daniel Alves, uma contratação maluca, jogador que estava se aposentando. Não acrescentou nada tecnicamente, mas sangrou e ainda sangra as suas finanças.

O Corinthians, devendo todo mundo, trouxe o holandês Depay. Grêmio e Internacional, na briga doméstica deles, mesmo em péssima situação financeira, não pararam de gastar em aquisições e contratos absurdos. Atlético e Cruzeiro, na guerra doméstica mineira, seguiam, até outro dia, o mesmo mau exemplo: mesmo em baixa no Flamengo, Gabigol foi bem demais na final da Copa do Brasil contra o Atlético. Para zoar e fazer raiva nos atleticanos, o Cruzeiro gastou uma pequena fortuna para contratá-lo. Em decadência, não deu certo e foi emprestado ao Santos, com parte do altíssimo salário pago pela Raposa.

Para não ficar atrás, o Atlético agiu de forma semelhante para levar Dudu, outra contratação desastrada do Cruzeiro. Ainda deu a ele a camisa 92, para cutucar a torcida cruzeirense, por causa de um 9 a 2 do Galo no clássico, na década de 1930.

Por outro lado, a CBF é bilionária, cofres abarrotados. Tem aviões, helicópteros, fatura os tubos em patrocínios, parte da renda de todos os jogos, e amistosos da seleção. É dirigida há décadas, por quem não é do ramo do futebol, paga salários inacreditáveis aos presidentes das federações, além das mordomias inacreditáveis para seus próprios executivos e presidente.

Sem falar nos “parceiros”, inclusive da imprensa, para que não se toque no assunto. Mesmo sem ter nenhum jogador de futebol em sua folha salarial. Os clubes fazem vistas grossas, se omitem e nunca falam em mudar este estado de coisas. Eles é que deveriam tomar conta de tudo no futebol brasileiro, já que são a razão de ser do espetáculo.

Mas, desunidos e negociando isoladamente, deixam pra lá, e a CBF continua fazendo o que bem quer, gastando um dinheiro que deveria ser repartido entre os filiados.

Muitos clubes vão acelerar o seu processo de decadência, com ou sem as bets, mas por sua própria incompetência administrativa e gestão temerária.

10 Responses

  1. Enquanto o título que vai fazer o currículo do Fred mudar de patamar não vem, voltemos a atenção para a luta pelos 45 pontos no Brasileiro.
    Acho que todos viram o sufoco do mengão classificadaço ontem no Maracanã. E é esse meu medo do jogo do Galo contra a virtualmente rebaixada Chapecoense. Em 2024 e no ano passado, o Atlético lutou contra o Z4 até o final exatamente pelo sucesso que estava tendo nas Copas. . Esse jogo de amanhã, em casa, contra a pior equipe na tabela é de fundamental importância para a tranquilidade do clube. Se vencer, praticamente fica livre da possibilidade de rebaixamento e pode ter concentração total nas outras competições, com a possibilidade de administrar o elenco. Mas tudo isso passa pela seriedade de enfrentar a Chape. Se entrar rebolando, de salto Luis XV, vai se estrepar como em tantos jogos nas duas temporadas anteriores.

  2. O problema é que, após muitos anos resolvendo problemas, lembro sempre de “procurar o problema escondido atrás do problema visível”. Antes não existiam “bets” e os clubes sobreviviam, com dívidas, mas em valores até menores do que os atuais. Se as bets eram a solução, então os clubes deveriam estar saneados, as dívidas da previdência pagas, etc. Msa por que isto não ocorreu?

    Simples: antigamente se lavava dinheiro no futebol nas categorias de base. Mas os dirigentes de clubes foram gananciosos, e decidiram deixar seus clubes venderem os jogadores da base cada vez mais cedo. Culpam leis Pelé, Zico, etc., mas nenhum assume o absurdo que viraram as categorias de base. Hoje, quando um dirigente “chega no clube” e vai querer lavar algum dinheiro através do passe de jogadores da base, detecta que já estão todos “vendidos”. Aí, a “bet” virou o mecanismo “du jour”…

    Eu nem vou falar da possibilidade de alguma investigação em breve levantar algo sobre resultados arrumados ou facilitados por juízes, jogadores e dirigentes. Mas e a questão de “quanto vale o patrocínio na camisa de cada clube”? Com os clubes todos pendurados, se o patrocínio na realidade, devido à visibilidade do clube, torcida, etc., vale, por exemplo, R$10 milhões, quem não garante que tem clube “aceitando” R$8 milhões porque por fora vai R$1 milihão para o pequeno grupo de dirigentes que assina o contrato, a ainda sai mais barato para o patrocinador? Ou, pior ainda, temos estes casos em que o patrocínio vale R$10 milhões, mas uma bet, com dinheiro que precisar “higienizar” pagar R$20 milhões, e exige que jogador tal seja contratado por R$5 milhões, e escalado! Depois ninguém entende porque tem jogador perdendo penalidade aqui e ali, mas continua tendo contratos cada vez melhores em cada tranferência…

      1. Errou o espaço de tempo. Como todo o planeta bola está ciente desde 16/01/2016 que os celestes compraram e pagaram arbitragens, anteontem completou 10 anos e 8 meses que tenho a grata satisfação de não deixar cair no esquecimento de todos “torcedores” azulinos surdos, coniventes e amordaçados.
        #ceccomprouepagouarbitragens

          1. No caso que vc cita não há prova alguma, mas falácias de empresário contrariado pela não-negociação de um atleta que não entrou cifras em sua conta, falou demais e não apresentou prova alguma.
            Já no caso de seu ex-dirigente esse afirmou por livre e espontânea vontade, não resta dúvida alguma. É uma prova cabal, real, verdadeira. Não há o que se discutir. É um fato. Ponto final. Querer tapar o sol com peneira é impossível. Comparando um casobreal X falácia, fica cômodo saber quem falou a verdade. Ademais, pra vc vale a máxima “um erro justifica o outro”, né?
            Márcio Borges, sei que vou machucar-lhe por dentro, lhe sangrar, mas:
            #ceccomprouepagouarbitragens

  3. Sem as Bets, antigamente, quem mais recebia patrocínio, era Flamengo e Corinthians, 15 milhões por ano.

    No momento, o Flamengo recebe, 268 minhos por ano de patrocínio de Bet.

    O Galo recebe 60 milhões, 200 milhoes a menos, é dinheiro pra bosta.

    Se caso for vetado, não sei como vão fazer, os clubes, para pagar jugador, vai quebrar muita gente.

    O problema e que é muito dinheiro, mas é desigual, e cheio de armações legais, é uma farra.

    Não diria que é o fim, mas com certeza, ia ser uma debandada geral de jogadores do futebol brasileiro!

  4. O Flamidia, durante 25 anos, foi o único clube brasileiro com patrocínio de uma estatal, a Petrobrás.

    Quando o governo Lula cortou essa vergonha, em 2009, o Flamidia esperneou, mas teve que se reorganizar. Demorou, quase foi rebaixado em 2011, mas 10 anos depois de perder o patrocínio da Petrobrás, o Flamidia viveu o seu melhor momento recente e sem depender de Bets.

    As Bets estão no futebol há menos de 8 anos, logo, perfazem parte da receita, mas os clubes viveram a maior parte da sua história sem o financiamento das Bets.

    Um prazo de 5 anos de transição, para o encerramento do financiamento das Bets seriam um bom horizonte. Daria tempo doa clubes equilibrarem as contas e os contratos.

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