Imagens: @GaloNaMemoria
Na narração do Cid Moreira, do Canal 100: “O Clube Atlético Mineiro tem a maior bandeira do mundo, e uma torcida que vibra o tempo todo”
Na euforia pela vitória sobre o Cruzeiro na terça-feira, quase que a data de 3 de setembro passou despercebida: Atlético 2 x 1 Brasil no Mineirão, com 71.533 pagantes.

O Globo de 4 de setembro de 1969
O Futebol Nostálgico @futnostalgico resgatou imagens do Canal 100 que era o maior divulgador do futebol brasileiro naqueles tempos (exibia resumos dos jogos nas salas de cinema antes do início dos filmes), com narração do Cid Moreira, que se tornaria um dos apresentadores do Jornal Nacional, da Globo.

Por exigência do Conselho Nacional de Desportos (CND), órgão do regime militar da época, que controlava os esportes no país, o Galo teve que jogar com a camisa da seleção mineira, sob a alegação de que a seleção canarinho, que acabara de se classificar para a Copa do Mundo de 1970, não deveria enfrentar diretamente um clube, e sim uma seleção estadual.
Havia também uma outra disputa à parte: o técnico João Saldanha, que estava prestes a cair do comando do “escrete” era inimigo mortal de Yustrich, o lendário treinador do Galo, que era o mais cotado para substitui-lo. Na sequência o Saldanha caiu, mas o escolhido para lugar dele foi Zagallo, que comandou o time no tri mundial no México.
Amauri abriu o placar para o Galo, Pelé (em impedimento claro), empatou para a seleção e Dario, o “Dadá Maravilha” fez o gol da vitória.
Os times daquele 3 de setembro de 1969:
Atlético: Mussula, Humberto Monteiro, Grapete, Normandes (Zé Horta) e Cincunegui (Vantuir); Oldair e Amauri (Beto); Vaguinho, Dario, Lacy e Tião (Caldeira).
Brasil: Félix, Carlos Alberto Torres, Djalma Dias, Joel e Rildo (Everaldo); Wilson Piazza e Gérson (Rivellino); Jairzinho, Tostão (Zé Maria), Pelé e Edu (Paulo César).
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Era jogo comemorativo da Semana da Independência, também do aniversário do Mineirão e marcava a inauguração do sistema de iluminação do “Gigante da Pampulha”.
Em 2019, numa ótima reportagem do Fred Ribeiro e Rodrigo Fonseca, o Globoesporte entrevistou o zagueiros Normandes e Grapette, o meia Amaury, o ponta direita Vaguinho (meu conterrâneo de Sete Lagoas) e Dadá Maravilha. Vale a pena acessar e conferir:

Grapete, Mussula, Tostão, Jairzinho e Gérson


One Response
Ganhei do meu primo e xará, o americano fanático Paulo Antônio (que nos deixou precocemente aos 50 anos), o livro “Uma Paixão em Preto e Branco”, do Roberto Drummond, que inclui sua lendária crônica sobre a camisa alvinegra pendurada no varal.
Nesse livro consta a crônica escrita no dia seguinte desse jogo no Estado de Minas foi de arrepiar. Conseguiu me transportar para a atmosfera da partida.
“O Galo jogou de vermelho, mas sua alma estava em preto e branco. Quando a Seleção Brasileira entrou no Mineirão, pensou que enfrentaria um time comum. Mas o que ela encontrou foi a República do Galo. E contra a paixão de um povo, nem o Rei Pelé pôde resistir.”
Vale a pena demais a leitura dessa pérola, viu Chico!
Vou aproveitar pra complementar esse post com uma informação que torna ainda mais significante essa vitória: Foram apenas 2 derrotas sofridas por essa seleção, o melhor time da história, desde o primeiro jogo das eliminatórias, até a final. Esse jogo iniciou uma crise em relação ao treinador Saldanha, que chegou ao seu ápice na segunda derrota, 2×0 contra a Argentina, que resultou na sua demissão. Ou seja, o Galo ganhar da seleção teve um papel decisivo na troca do treinador, que, a meu ver, foi decisiva para o título impecável de 1970. O resto é história!!!