A imprensa teve “espasmos de cachorro atropelado” diante do 18º gol de Messi em Copas do Mundo

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O título da postagem foi um ajeitamento meu para o texto que recebi, do caratinguense Fábio Pacelli Anselmo (irmão do saudoso Flávio Anselmo), direto de Brasília, atento à Copa do Mundo. Porém, ele informa que o autor é outro caratinguense, o Ruy Castro, um dos grandes escritores da nossa história, em sua coluna na Folha de S. Paulo.

Além da crítica, ele dá informações relevantes contextualizando o passado e o presente do futebol, fazendo justiça e colocando “pingos nos is” do futebol mundial. Confira:

“Como diria Nelson Rodrigues, a imprensa teve espasmos de cachorro atropelado diante do 18º gol de Messi em Copas do Mundo. A julgar pelos gritos dos narradores e das manchetes, os gols do argentino contra a Áustria foram um momento da história, como o da fissão do átomo em 1938, da chegada do homem à Lua em 1969 e do sequenciamento do genoma em 2003.

Ao fim da Copa, campeão ou não, Messi será desfilado pelos estádios numa bandeja de prata e com uma maçã na boca, para usar mais uma imagem rodrigueana.

Eu só me pergunto se essa suposta avalanche de gols faz jus à realidade. Messi está na sua sexta Copa do Mundo e levou 27 partidas para marcar os ditos 18. É uma média de 0,59 gol por jogo, significando que, em praticamente uma a cada duas partidas, foi para o vestiário com as mãos abanando. O alemão Klose, que ele teria superado, marcou 16 gols em 24 jogos –média de 0,67, melhor que a dele.

Quanto aos nossos artilheiros, fizeram melhor ainda: Ronaldo, em quatro Copas, marcou 15 gols em 19 partidas — 0,79 gol por jogo.  Pelé, também em quatro, foi às redes 12 vezes em 14 partidas, numa média de 0, 86. E Vavá, em duas Copas, nove gols em 10 partidas, média de 0,90. Nada mal, não?

Como temos por tradição esnobar o passado, ignoramos que Ademir, o Queixada, marcou nove gols em apenas seis jogos na única Copa que disputou, a de 1950, deixando a fabulosa média de 1, 50 gols. E que a de Leônidas da Silva foi ainda maior: 1,60, por oito gols em cinco partidas nas Copas de 1934 e 1938.

Mas vamos deixar a patriotada. Os artilheiros na batata (mais uma de Nelson) são o francês Fontaine, 13 gols em seis partidas em uma única Copa, a de 1958, com a já absurda média de 2, 17, e o húngaro Kocsis, 11 gols em cinco partidas, em sua também única Copa, a de 1954 —2, 20! Messi, meu chapa, supere isso.

Estamos falando de vetustas Copas, com a bola pesando 500 gramas (contra os 400 gramas de hoje), zero de substituições e sem pausas para hidratação.

Pausas, só para a comemoração dos gols.”

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Ruy Castro é bom demais da conta. Obrigado ao Fábio pelo envio do texto.

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2 Responses

  1. Tanto você meu querido Fábio e também o Ruy Castro são pessoas de grande admiração dos nossos amigos da Grande Caratinga.

  2. Chico. O Messi mereceu,.sim, todos estes espasmos de cachorro devido ao seu exemplo como jogador e atitudes extra campo e sem falar o principal, futebol. O cara realmente é um gênio e todo esses espasmos não diminui em nada todas as conquistas de: Fontaine, Ronaldo, Klose, Vavá e Ademir. Mas é momento de exaltar o jogador que entra para a história do futebol como um dos maiores. Espasmos de cachorro é o que a imprensa e grande parte da imprensa brasileira tem com um jogador que no geral sempre foi insignificante na seleção, apesar de bom
    Jogador, sem dizer que como pessoa sempre mostrou ser um ser abjeto. Sabe quem é né. Isso mesmo “menino Ney” que até hoje não virou homen.

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