Nosso time do podcast Prateleira de Cima: Emanoel Ferreira (esq.), Regis Souto, eu, Guilherme Veloso e Felipe Ursine, antes de um dos episódios no estúdio da Interede
Detesto “textões”, mas às vezes não tem jeito. Mas, garanto que este aqui interessa a todo mundo, pois envolve uma situação a que qualquer ser humano pode passar. E como é animador ler o testemunho de alguém relatando os seus perrengues, de forma que eu, você ou alguém próximo a você pode se inspirar para qualquer “eventualidade”.
Em novembro de 2025 encerramos a primeira temporada do nosso programa de entrevistas “Prateleira de Cima”, no YouTube, parceria de sucesso com a Interede. A ideia era retornar no primeiro trimestre de 2026, mas tivemos, digamos, um “incidente de percurso”, que nos obrigou a aguardar um pouco mais para a segunda temporada.

É que o nosso produtor-mor, Guilherme Veloso, o camisa 10, aquele que coordena e cadencia o jogo, foi fazer uns exames médicos previstos e teve surpresas nada previstas, que nos fizeram adiar o retorno.
Guilherme é figura humana muito especial, queridíssimo por todo mundo. E tem uma maneira peculiar de enfrentar qualquer problema, tipo “no fim, tudo vai dar certo”.
Sempre otimista e bem humorado, via whatsapp, ele emite boletins diários informando detalhes do tratamento e procedimentos pelos quais está passando. Um exemplo de força para todo ser humano de qualquer idade, em qualquer parte do planeta, em textos que valem a pena ser lidos. Logo que terminei de ler o “boletim” mais recente, retornei pedindo a ele autorização para publicar, tão logo ele estiver recuperado e longe do ambiente dos hospitais e consultórios médicos.
E ele escreveu: “está autorizado, a publicar até agora, se quiser”.
Sendo assim, confira o brilho também nas letras, do nosso amigo jornalista Guilherme Veloso, de 34 anos de idade:
“Do Topo do Funil ao Mata-Mata”
A Jornada do cliente/paciente. Toda grande campanha, assim como toda jornada de sucesso, começa pelo começo. Mas a minha resolveu ignorar completamente o briefing.
Fim do ano de 2025. O objetivo estratégico era simples: fazer alguns exames para não ser pai. A famosa vasectomia. Um procedimento padrão, uma otimização de recursos da operação, certo?
Corta para fevereiro de 2026. Eu, lá na mesa de cirurgia, e o médico faz um “discovery” não planejado: encontrou um caroço, uma massa no testículo esquerdo.
Cirurgia finalizada, vamos tratar a situação.
Primeiro, tratamos como uma inflamação somada a um cisto — e, como a gente sabe, apenas cistos, nada de lesões.
Câncer?
Aquela métrica de vaidade terrível que a gente acha que nunca vai converter na nossa base de dados. “Toma esses exames e vai monitorando”, disseram.
Mas o Brasil tem um SLA (Service Level Agreement) que só opera depois do Carnaval. Então, no dia 5 de março, o resultado bateu na mesa: positivo para câncer.
Meu chão sumiu. O Customer Experience (CX) da minha própria vida despencou para um NPS negativo. Eu não sabia o que fazer, não entendia o que estava acontecendo.
Por que eu? Por que logo agora, no meio do campeonato?
Vieram as medidas drásticas e sofri minha primeira reestruturação física: perdi o testículo esquerdo. Mas como estrategista que sou, não faço nada pela metade. Eu não tive um câncer, entreguei logo um ROI duplo: dois tipos diferentes no mesmo lugar. Uma promoção “pague 1, leve 2” que eu definitivamente não pedi.
E então veio o rebranding mais agressivo de todos: a quimioterapia. Queda dos cabelos, enjoos, náuseas e um baque no sistema operacional. Nessa jornada, porém, o engajamento orgânico tem sido absurdo.

Tive ótimas companhias e gratas surpresas, tanto nos bugs diários quanto no extraordinário: uma ligação de suporte, uma mensagem, uma risada.
Queria fazer um call to action de agradecimento e abraçar muita gente de forma apertada.
Meus irmãos da maçonaria, todos eles, minha família, meus tios, a turma do Deus me Dibre, o Simas, o pessoal do Prateleira de Cima, Emanoel, Helen, Aroldo, Gabriela, Lyon, Leandro, Alberto, Chero, Caixeta, Fernanda, Patrícia, Silvana, Caio Figueiredo, Erica, Caio, Elis, Josi, Lidiomar, Mário, Bruno, minha sogra, a família dela e muitos outros que formam a Massa que está diuturnamente na arquibancada torcendo por mim.
Mas eu preciso destacar a Sócia Majoritária dessa operação. Aquela que não soltou minha mão, gerenciou a crise e caminhou junto a mim a cada passo: Maíra Pertussati. Ela tem sido o maior case de sucesso de resiliência e força que eu já vi. Porque ela tem, a todo momento, entregado a melhor experiência possível de parceria, ficando ao meu lado, no literal, na saúde e na doença.
Pois é, como nada poderia ser fácil e o campeonato é de pontos corridos, agora luto contra um terceiro foco de câncer, me preparando para o próximo mata-mata: uma cirurgia na semana que vem.
Estamos aqui, lidando com um dia após o outro, convivendo com as dores no corpo e com uma neuropatia periférica que deixou meu hardware confuso.
Tô igual a um cão na época de troca de pelagem, perdendo os pelos do corpo enquanto ando pela casa, ou deito na cama e no sofá. Mas isso é o momento do jogo.
Ah, e essa semana encerro o primeiro ciclo completo da quimioterapia, num sprint de 10 a 12 horas de hospital.
Tenho muita campanha pra colocar na rua, muito Galo pra ver jogar e, acima de tudo, muita vida pra viver e acreditar.
O apito final está longe de soar.
* Guilherme Veloso

Logo após a marcante entrevista com Guilherme Mendes, uma foto para registrar o sucesso do episódio, com o Veloso à direita

Referência maior de profissionalismo, visão e competência da Comunicação mineira, Emanuel Carneiro deu uma aula sobre a imprensa, passado, presente e futuro, em mais de três horas de papo conosco no Prateleira de Cima, que pode ser acessado no YouTube.
A partir da esquerda, Sidnei (Interede), Emanoel Ferreira, Chico Maia, Emanuel Carneiro, Regis Souto, Felipe Ursine e Guilherme Veloso.



4 Responses
Triste, mas esperamos o retorno rápido do Guilherme e de toda a turma. Você Chico, com certeza vai liderar essa volta com mais força e brilhantismo para o Prateleira. Um abraço!
Caríssimo Guilherme e caros Chico & Régis, nosso camisa 10 (gostei dessa) vai vencer e golear nesse jogo. Passei e convivo com situação similar próximo. Sei o quanto é necessário ser forte para conviver e reagir. É o básico e fundamental pra vencer esse jogo. Estamos juntos! Força!!!
Opa, que honra tê-lo aqui, caro Eduardo de Ávila.
Obrigado pela força, que certamente o Guilherme está lendo e vai agradecê-lo também.
Você que é um grande exemplo de tenacidade e profissionalismo.
Grande abraço
Toda força do munda a ele, que volte logo, assisti vários programas, o que mais gostei foi do Belmiro.
Um abraço e que tudo dê certo para ele.