Levantar e sacudir a poeira é atitude para os bravos. Caso do Cidadão Kane de Pedra Azul!

Foto: divulgação

Carlos Ferrer, o Baiano, é um dos melhores cronistas que conheço. Pena que só escreve pra consumo próprio e privilegia amigos enviando diretamente as suas crônicas semanais, sempre homenageando algum amigo.

Desde março estou pra publicar essa homenagem que prestou a um amigo/irmão em comum nosso, o Marcílio Soares (centro da foto, de óculos), grande companheiro dos tempos do Minas Esporte, na Band Minas, onde ele era o diretor de imagens.

Baiano só cometeu um ligeiro equívoco: Marcílio nasceu em Felisburgo e não em Pedra Azul, também no Vale do Jequitinhonha, lá perto, a 135 quilômtros.

Atualmente, além de empresário da Comunicação, Marcilio tem uma banda, “Amor Volteoi”, que toca hoje, sexta-feira. Certamente não dá mais tempo de ir, mas direi aqui, com a devida antecedência, o dia e local do próximo show.

Marcilio Convida

Carlos Ferrer / Baiano

O homem mais leve que conheço é assim por nunca ter carregado o peso da covardia.

Nos conhecemos jovens: ele era cinegrafista da TV Bandeirantes, e, eu era um sonhador que achava que podia mudar o mundo com frases estampadas em camisetas. O herói deste texto cresceu rápido. Abriu uma agência de publicidade, e foi fazer campanhas para políticos e empresas por todo o país até ficar rico.

O homem de coragem faz da audácia uma bússola para guiar os seus sonhos. E o sonho do meu amigo era montar uma TV. Em uma cidade que não tem anunciantes, essa não seria uma tarefa fácil, pois nossa cidade vive do comércio, e são as indústrias as empresas que mais anunciam seus produtos.

Mas, como sonho é bicho difícil de domar, ele montou a BH-News, que foi a primeira TV a cobrir ao vivo o Carnaval de Belo Horizonte.

Gerou empregos e criou uma bela programação. Marcilio lutou até perder todo o seu patrimônio.

E, quando a informação e a cultura ficaram em silêncio, a dor invadiu seu peito, mas não tirou o belo sorriso de seus lábios. Enfrentou ingratidão na Justiça do Trabalho. Só os verdadeiros amigos, aqueles que não abrem mão do seu jeito tão gostoso de abraçar, o acompanharam ao inferno. Muitas vezes a vida é dura demais. Beira a tragédia. Levantar e sacudir a poeira é atitude para os bravos. No primeiro encontro que tive com nosso Cidadão Kane de Pedra Azul, depois do dilúvio, eu lhe disse: — _Marcilio, muitos homens no seu lugar dariam um tiro na cabeça. De onde você consegue forças para estampar sempre esse sorriso?”_.

_- “Ferrer, nem eu mesmo sei”_ — respondeu. — _”Vou voltar para a minha agência e também vou montar uma banda de músicas bregas para divertir as pessoas”._

_- “Eu amo cantar e, modéstia à parte, canto bem melhor que Frank Sinatra e Elvis Presley”._

A banda, AMOR VOLTEI, tem sete músicos e já é um sucesso nas noites belorizontinas. _”Eu não sou cachorro, não…”_. _” À Índia fui, em férias, passear, tornar realidade os sonhos meus”._

O repertório é hilário, e a interpretação, divina. E não há nada em você que eu não ame, velho cantor. Para mim, você é um exemplo de coragem, alegria e altivez que deve ser copiado por todos. Garçom, aqui nesta mesa de bar, dia 11 de março, Marcilio Soares de Souza comemorou com os amigos os seus 68 anos cantando suas canções preferidas.

A Dama de Vermelho confirmou presença, e o cronista foi tirá-la para dançar, pois eu não sou lixo para ela fora jogar.

_P.S.: o show foi no Dona Maria Gastrobar, Av. Bandeirantes, 1299._ _Belo Horizonte

Nos grandes tempos da Band Minas: Marcílio Soares (esquerda), Flávio Anselmo e Luiz Regueira Junior

Marcílio, o ex-deputado Manoel Costa e o escritor Carlos Ferrer/Baiano

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