Foto: www.otempo.com.br/superfc
O estádio fornece as imagens que possibilitam identificar os criminosos, as polícias Militar e Civil prendem, encaminham para a justiça que aplica penas, que muitas vezes não são cumpridas. Dias depois, as cenas se repetem, o ritual das autoridades, idem e este ciclo absurdo se tornou tradicional. Clubes, estádios e autoridades soltam notas de repúdio, a imprensa berra, repete os discursos e pergunta “até quando?”
Daí a pouco, tudo de novo. Nas últimas décadas, só tivemos uma trégua, de uns três anos, em uma única situação: em 2013, quando oito integrantes da Galoucura foram condenados a até 17 anos de cadeia pelo assassinato de um integrante da Máfia Azul, na porta do Chevrolett Hall, na Av. Nossa Senhora do Carmo. O crime foi em novembro de 2010.

Detalhes, no G1 de 12 de abril de 2013: https://g1.globo.com/minas-gerais/noticia/2013/04/integrantes-de-torcida-do-atletico-mg-sao-condenados-por-morte-em-2010.html
A condenação de peso inédito assustou a bandidagem desse meio e pôs um freio neles, porém de curta duração, menos de cinco anos. Voltaram com tudo e sem profissionais da justiça competentes e enérgicos como aqueles que aplicaram os rigores das leis naquele ano de 2013.
Aí vem a parte da culpa da imprensa, que não relembra estes fatos, não atualiza como estão hoje aqueles condenados, se ainda cumprem a pena, se conseguiram encurtar o tempo na cadeia, se se arrependeram do que fizeram, a situação atual da família da vítima, se essa vítima também era um dos violentos brigões do outro lado, enfim. Os Promotores de Justiça, Juízes e advogados das partes daquele processo deveriam ser ouvidos sempre, para falar dos caminhos que seguiram para colocar na cadeia os marginais, das pressões que sofreram e por aí vai. Um desses competentes agentes da justiça foi o Dr. Francisco Santiago, conselheiro do América, ex-comandante do Conselho Gestor do Coelho, recordista em participações no Tribunal do Juri de Minas Gerais. Tem muito a dizer, não se recusa a dar entrevistas. Uma figura humana fantástica.
Diferentemente da editoria de política, por exemplo, quase não existe jornalismo investigativo no futebol. Se houvesse, certamente os dirigentes de clubes que são cúmplices de muitas torcidas organizadas já teriam sido denunciados e desmascarados.
O jornalista Fernando Rocha, ex-Globo, twittou hoje: @fernandoroch
“Ontem fui dormir triste com as imagens e relatos da briga no Gigante da Pampulha. Acordei vendo as duas organizadas envolvidas (Cruzeiro e Atlético) se vangloriando desse absurdo e com a pessoa que invadiu o campo famosa por aqui. Estamos perdidos.”
Ele tem total razão. Também fiquei incomodado ao ver no twitter esta manhã, colegas jornalistas dando espaço de destaque ao invasor do gramado do Mineirão, vestido com o colete da segurança que ele usou para enganar a todos e chegar aos jogadores da selecão brasileira. Essa figura conseguiu o que queria: ser notado, sair do anonimato, ganhar holofotes e páginas de jornais. Um incentivo gigante para outros tentarem repetir o “feito” em eventos futuros. Um indivíduo desses deveria estar preso até agora, com processo criminal instaurado contra ele. Essa notícia é que intimidaria a outros aparícios, metidos a engraçadinhos.
Infelizmente a nossa realidade é essa,e brigas como a de ontem se repetirão daqui a alguns dias porque os criminosos têm certeza que ficarão impunes.



3 Responses
Cadeia. Simples assim.
Para os bandidos (não acredito que todos integrantes sejam) que estão infiltrados na Máfia Azul e Galoucura.
Nos os honestos e trabalhadores ficamos indignados com estes fatos, mas este é o nosso Brasil, só nós nos preocupamos mas quem deveria fazer algo fica caladinho.
Quando eu vejo estas histórias eu logo penso, o que faria uma organizada em jogo da seleção brasileira, ninguém dá a mínima para seleção, nem para o próprio time. Foram lá porque receberam ingressos de graça, ou queriam brigar mesmo.
Leis não faltam e ainda tem o estatuto do torcedor…
Então existem câmaras de segurança, se elas não foram usadas quando o mineirão foi depredado porque seriam agora? Violência não ocorreu só em 2013, ano passado uma quadrilha assassinou um membro da gang rival, no caso a vítima era do Galo. Ao contrário de 2013 ninguém foi punido. Ainda.
Parte das torcidas organizadas agora têm dono já que comprou tudo de porteira fechada. Enquanto distribuírem ingressos e subsidiarem este pessoal eles vão estar por aí mesmo. Tem é que cobrar dos clubes e dos donos.