Democrata Jacaré e o futebol mineiro de luto pela morte de Geraldo Negocinho

Coincidentemente, dois dias antes de eu viajar para o Marrocos, recebi ligação do grande Marco Antônio Bruck (Itatiaia) perguntando pelo Geraldo Negocinho.

Dei as boas informações que tinha dele e ficamos de visita-lo quando eu voltasse, para ouvirmos as ótimas histórias que só o Geraldo sabia contar.

Mas, infelizmente, abro a caixa de mensagens nesta quinta-feira, em Marrakech e a primeira que leio é a pior possível, vinda do Guilherme Lopes, sobrinho do Geraldo, a quem agradeço:

“Oi, Chico!

Sempre nos falamos e conversamos sobre futebol e viagens de forma muito positiva e agradável.

Mas hoje eu tenho uma notícia triste: meu tio e ex-presidente do Democrata faleceu hoje.

Geraldo Negocinho Antônio da Costa

Quando o Jacaré foi campeão (veja a foto) eu ainda não era nascido. Mas sempre escutava histórias.

Se tiver alguma história/curiosidade para nos lembrarmos dele, nos escreva depois.

Boa viagem e bom trabalho!

Abraço,

Guilherme Lopes”

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Não sem antes de chorar com a notícia, uma pausa nessa cobertura do Mundial no Marrocos para lamentar profundamente, a morte deste que foi um dos grandes empreendedores imobiliários de Belo Horizonte, nos anos 1970/80/90, com a “Lotaço Imóveis”, que era uma das grandes patrocinadoras de programas e jornadas esportivas das rádios da capital.

Nascido em berço humilde em Santana do Pirapama (a 70 Km de Sete Lagoas), chegou à capital do estado como a maioria dos interioranos, que sonha com dias melhores, e luta para ganhar a vida.

Com a inteligência privilegiada que tinha e muito trabalho tornou-se um dos grandes empresários mineiros.

Apaixonado por futebol, era amigo e foi sócio em loteamentos em Minas, Espírito Santo e Rio de Janeiro, de Telê Santana, Paulo Cury, Geraldinho Portela e tantos outros.

No início dos anos 1980, foi “convocado” pelo irmão mais novo, Álvaro Antônio da Costa, grande empresário também do ramo imobiliário da região de Sete Lagoas, dono da J A Imóveis, para ser presidente do Democrata.

A ideia foi minha ao Álvaro, já que eu nem conhecia pessoalmente o Geraldo, depois de uma visita que ele fez ao Gil Costa, na época, diretor da Rádio Capital, que havia me levado da Cultura de Sete Lagoas para lá naqueles tempos.

Surpreendentemente Geraldo topou na hora, montou um grande time e no mesmo ano conseguiu tirar o Jacaré do campeonato amador da cidade e retorná-lo à primeira divisão do futebol mineiro.

Mas o futebol é máquina de moer gente; ambiente complicado e nebuloso, como o Brasil está vendo neste estranho rebaixamento da Portuguesa, onde o que rola de dinheiro escuso, por debaixo dos panos, dá asas à imaginação de todos nós.

Geraldo passou a ser cercado por oportunistas de todo tipo, de olho no dinheiro dele, que de boa fé, acreditava em todo mundo.

Até que abriu os olhos e resolveu deixar a vida de dirigente de futebol e cuidar apenas dos seus negócios em Belo Horizonte, que lhe deram fortuna.

E ainda sofreu injustiças com inverdades ditas por “democratenses tradicionais”, que nunca se dispuseram a contribuir verdadeiramente com o clube, mas que se sentiam donos e morriam de ódio de quem se aproximava para ajudar de alguma forma.

Coisas de um passado tacanho, dos tempos de gente pequena, onde até as ideias são pequenas.

É isso!

Vida que segue!

E lá se foi mais uma pessoa de quem eu gostava muito e que lamentavelmente com quem eu falava e me encontrava menos do que gostaria.

Fica a eterna saudade!

O futebol mineiro deve honras ao Geraldo, pois se o Democrata está aí, vivo, com 100 anos a serem completados em 2014, deve muito a ele.

Sete Lagoas, mais ainda. Esta cidade que completou 146 anos de emancipação política, em novembro passado, possui poucas instituições centenárias; aliás, nem sei se possui outra com esse tempo e vida.

Obrigado de novo ao Guilherme que enviou esta foto, do nosso Democrata, Campeão Mineiro da Segunda Divisão, no jogo em que recebeu as faixas, em amistoso contra o Cruzeiro, no saudoso estádio Duarte de Paiva.

Foi três ou quatro a zero para o Jacaré, três gols do centroavante Rubão, um deles, com direito a drible desconcertante no então zagueiro Abel, hoje vitorioso treinador do futebol brasileiro.

DEMOCRATA

Estou à esquerda, em pé, ao lado do Pedro Antônio da Costa, irmão mais velho do Geraldo, Álvaro, Geraldo, e os jogadores: Saúva, Edson Vampiro, Misael, Prego, Baiano, Souza, Careca e o técnico Arizona; agachados: Edson Carmelito (Supervisor), Astolfo, Rogério (que morreu ano passado), Rubão, Diney, Edu e o massagista Zé da Pomba.

9 Responses

  1. Rubão chegou a jogar no Galo, mas não deu certo.
    Geraldo Negocinho ficou na história, faz falta à Sete Lagoas gente empreendedora como ele.

  2. É impressão minha ou toda vez que você viaja pra alguma cobertura acaba fazendo obituário à distância?
    Meus pêsames à família do lendário, porque não, Geraldo Negocinho.

  3. O Rei deixou guardado para a eternidade um chapelaço no Abel. Agora você lembra o drible histórico do Rubão do Jacaré. O Abelão fez a festa dos centroavantes hein Chico?

  4. “Mas o futebol é máquina de moer gente; ambiente complicado e nebuloso, como o Brasil está vendo neste estranho rebaixamento da Portuguesa, onde o que rola de dinheiro escuso, por debaixo dos panos, dá asas à imaginação de todos nós.”

    Vejam essas palavras no post do Chico.

    Eu acho possível a Portuguesa possa ter “se vendido”, colocando em campo um jogador irregular faltando apenas 15 minutos para o término da partida. Dá-lhe Unimed e seus milhões de reais despejados no FlorminenC.

    Só acho que quem pensa assim tem que pensar também quando o assunto envolve aquele estranhíssimo jogo de 2011 na Arena do Jacaré.

    Daqui há pouco aparecerão os hipócritas que condenam todos os clube e as possíveis falcatruas mas defendem com unhas e dentes aquele suspeitíssimo episódio envolvendo a saída do sempre picareta Perrela (último jogo do ano de 2011).

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