Coluna publicada ontem na Folha de S. Paulo e lida pelo André Rizek no programa Redação Sportv, que provocou a ira de muitos palmeirenses:
“Hélio Schwartsman”
Gol de mão
SÃO PAULO – Ao entrar com o pedido de anulação do jogo contra o Internacional, o Palmeiras estará na prática reivindicando o direito de fazer gols com a mão, o que não pega bem para um clube de futebol.
Antes que rábulas ludopédicos e palmeirenses em geral me venham corrigir, sei que a ideia é questionar uma suposta interferência externa na decisão do árbitro, o que é vedado pelas regras. Pior, a pessoa que teria influenciado o juiz lhe teria passado informações obtidas através de imagens de TV, o que também é proibido.
A analogia cabível, sustentam os “filopalmeirenses”, seria com provas judiciais colhidas de forma ilegal, as quais, segundo a melhor doutrina do Direito, devem ser peremptoriamente excluídas do processo. “Mutatis mutandis”, a informação de que o gol de Barcos foi feito com a mão não poderia ter chegado licitamente ao conhecimento do árbitro.
A tentativa é boa, mas não me convence. A razão para não tolerarmos provas ilegais na vida real não se aplica ao esporte bretão. Trata-se de uma proteção conferida ao indivíduo para protegê-lo do poder do Estado. Recusamos a busca sem mandado para preservar a privacidade do cidadão. Abominamos a confissão sob tortura para garantir-lhe a integridade física.
Obviamente, um jogador que se exibe diante de um público de dezenas de milhares de pessoas (sem contar a TV) não pode legitimamente invocar o direito de privacidade. Por mais que tente, não consigo ver, no contexto do futebol, nenhum interesse que possa competir com o de apurar o que de fato ocorreu na jogada.
É por essas e outras que me parece absurda a insistência da Fifa em banir ferramentas tecnológicas que possam melhorar a qualidade da arbitragem. Os esforços da entidade me lembram o rival de Galileu que se recusou a pôr o olho no telescópio para ver as evidências, alegando que tudo o que havia para saber sobre os astros já estava descrito na doutrina aristotélica sobre os céus.



11 Responses
Caro Chico,
cansei…
Não tem como torcer para nenhum time de futebol do Brasil, se vc for uma pessoa com principios. O que se viu ontem foi um filme que o título deveria ser “10 maneiras de se atrapalhar o trabalho de um clube sem ser muito evidente”. Ele não deu o penalti porque não quis, conversou de mais com os jogadores irritou todo mundo. Isso é uma forma de fazer o serviço sem deixar claro.
Tomei uma decisão acabei de cancelar o PFC, não comprarei mais nada alusivo ao futebol brasileiro, vou torcer para qualquer outro clube do mundo. O Kalil disse uma frase em sua entrevista ao O Globo que funciona perfeitamente para a relação GloboxGalo “a mão que afaga é a mesma que bate”. Aquele bandido do Marciglia falando que o penalti foi claro no R49… Quando ele apitava fazia o serviço… O Atlético não queria assinar com a Globo lembra???
Enquanto os clubes não se unirem no Brasil todo contra o eixo para criarem um campeonato fora da CBF vai ser isto… Não dá para conviver com isso que está acontecendo no país… Chega num ponto que é melhor parar… Torcer para clubes fora do eixo é o mesmo que brincar de bater a faca entre os dedos com a mão em cima da mesa, uma hora você se machuca.
Para finalizar quero ressaltar que enquanto aqui atleticanos e cruzeirenses ficam acham bom que o adversário é passado para trás. Nop eixo eles lutam para beneficio de todos eles!!!
Para mim futebol brasileiro morreu ontem!
– BH
Com todo o respeito, que lixo de coluna (a do gol de mão). Tentam desvirtuar a discussão como se fosse para validar lance irregular, ao invés de compreender que é incabível, sob quaisquer circunstâncias, a interferência externa para decidir lances de uma partida de futebol, sejam lícitos ou não.
E nem sou palmeirense.
O holandês Clarence Seedorf criticou o hábito de os jogadores brasileiros se jogarem ao chão para cavar pênaltis. Em entrevista ao programa “Esporte Espetacular”, da TV Globo, o meia botafoguense que já jogou em times de cinco países diferentes afirmou que não respeita atletas “malandros”.
http://globoesporte.globo.com/programas/esporte-espetacular/noticia/2012/10/malandragem-criancas-e-musica-licoes-de-educacao-de-seedorf.html
“Os jogadores [do Brasil] deveriam ser mais leais, não ficar caindo, se jogando. Malandragem eu não respeito”, disse o atleta…
Chico
será que algum doutor AUDITOR do STJD
vai punir o bargos por ele ter usado a mão e fazer um gol ileegal
com má fé
será ?
Resumindo: o futebol brasileiro é corrupto, mau administrado e extremamente protetor dos clubes cariocas e paulistas… para os do eixo, tudo pode, tudo vale, exceto quando jogam entre si!
– Rotineiramente ainda aparecem nestas páginas pseudo-torcedores que defendem que há honestidade no futebol brasileiro: conivência e incapacidade de enxergar e conviver com a razão! Não são capazes de assumirem erros, desacertos e desonestidade em seu próprio clube, pois, são “cegos pela bola”, pela paixão clubística, pela emoção, pelo sensacionalismo, pelo passionalismo!
– Infelizmente somos de um país onde corrupção e desonestidade são tratados como “vantagem, sutileza, esperteza…” e demais desculpas esfarrapadas… sim, fomos colonizados pelo resto da sociedade européia e africana, e isso é público e notório, e com eles adaptamos nosso “jeitinho brasileiro”!
Excelente coluna.
Isso aconteceu na final da Copa de 2006, não gerou esta celeuma e deu credibilidade ao resultado do jogo. Imagina se aquilo passa batido?
E mais. Interferência externa acontece em TODO JOGO deste nível.
Ou alguém acha que a arbitragem não descobre no intervalo dos tempos as lambanças que fez e aplica, a partir daí, seus “critérios de compensação”?
Agora a CBF pretende validar gols de mão.
E pensar que esse país irá sediar a Copa.
Tecnologia no futebol, já!
http://www.placarreal.com.br/
Rafael, o placar real é irreal.