O efeito dos técnicos estrangeiros no Brasil e uma homenagem ao jornalista Ivan Drumond

Rafael Ribeiro/CBF

Tive o prazer de receber este ótimo artigo do amigo Carlos Ferrer (Baiano), que compartilho com os senhores e senhras do blog:

“A Bola Vai Rolar”

* Por Carlos Ferrer/ Baiano

Meu treinador na várzea dizia sempre as mesmas palavras em suas preleções: _”eu só tenho uma coisa a dizer pra vocês: quem pede, recebe. E quem desloca, tem preferência”.

Se o adversário estava em vantagem e vinha para cima, ele gritava: _”bola pro mato, que o jogo é de campeonato!”.

Parece que os europeus ouviram o velho treinador, ou buscaram vídeos antigos do nosso futebol. Faz tanto tempo que ganhamos a última Copa, que mesmo o último cartaz na parede já está desbotado.

O futebol de botão pelas calçadas era jogado em um toque. O Cruzeiro de Tostão e Dirceu Lopes também. Já a seleção de 1970, pela idade já avançada do grupo, optou por dois toques para dar tempo de os velhinhos chegarem à frente. São 22 Copas, e nenhuma foi ganha com técnico estrangeiro. Os brasileiros foram os que mais venceram: 5 títulos, e 2 vices. Inventamos o quadrado mágico e a maioria das variações táticas.

A Pátria de Chuteiras, como dizia Nelson Rodrigues, vestiu a carapuça de vira-latas e importou um líder estrangeiro para liderar as batalhas que virão. O canarinho virou corvo, fizeram um uniforme azul escuro com detalhes em preto e escrito “Brasa”. Um 7 a 1 de mau gosto. Assim como seu país, nenhum treinador português chegou a uma final de Copa do Mundo. Mas, hoje, são os professores que nos ensinam a fazer o que sempre foi a nossa tradição. Em 1966, o brasileiro Otto Glória levou Portugal ao 3° lugar. E, em 2006, Luiz Felipe Scolari chegou ao 4° lugar com a equipe lusitana. Aprenderam com os brasileiros?

Talvez. Só Vanderlei Luxemburgo teve coragem de tocar nesse assunto. Mas a verdade é que são em clubes ricos que esses técnicos vão bem. Na Seleção, o gol é mais embaixo. E tudo leva a crer que vem por aí mais uma grande decepção sob o comando de um professor italiano que não foi campeão com sua Seleção. Como adjunto de treinador, Ancelotti viu Carlos Alberto Parreira levantar o caneco nos EUA, em 1994. Contra a França, a seleção me fez lembrar meu treinador: _”o nosso adversário ataca em montuada, e defende em bololô”.

P.S.: esta crônica é para o craque Ivan Drummond, que está contundido e impossibilitado de usar suas linhas tortas, como pernas de Mané Garrincha, e aliviar nossos corações.

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