Foto: Daniela Veiga/Atlético
Foi-se o tempo em que alguém que ocupava cargo importante no Brasil tinha dignidade de renunciar.
Diferentemente dos tempos em que o Atlético não tinha um dono específico, e que pressão da torcida, imprensa e Conselho Deliberativo tinha peso, que ninguém espere nada de animador na entrevista que o Paulo Bracks vai dar nesta segunda-feira, às 15 horas.
O clube sempre viveu altos e baixos administrativos e esportivos desde 25 de março de 1908, assim como outros grandes brasileiros que não entraram nessa de se tornar SAF, tipo Flamengo, Corinthians, Internacional, Grêmio, São Paulo, Palmeiras, Santos…
Com chegada da SAF, o dono faz o que quer, e só sai se quiser vender e se aparecer alguém para comprar. Na melhor das hipóteses, escala-se um boi de piranha para dar uma entrevista e vida que segue. E quem não gostar que se lasque!
Em 1992 o Atlético ocupava uma das últimas posições na tabela do Brasileiro e a pressão era enorme, da torcida e imprensa. O presidente Afonso Paulino resolveu dar um tempo e se licenciou, deixando Aníbal Goulart no cargo. Seis meses depois, a poeira baixou e Paulino reassumiu.
Em 1998, o Galo vivia o caos sob Paulo Cury, que diante da pressão insuportável da torcida, imprensa e Conselho Deliberativo, fez um acordo e entregou o cargo.
Em 2001, a situação nem era tão ruim, mas Nélio Brant não estava dando conta de conciliar a direção do Banco Rural com a presidência do Atlético. Convocou uma coletiva e para a surpresa geral anunciou que estava deixando o comando e seria sucedido por Ricardo Guimarães.
Em 2008 outro momento dificílimo, com pressão geral insustentável. Não restou outra opção ao presidente Ziza Valadares que não fosse a renúncia. Alexandre Kalil foi eleito para o seu lugar.


