x.com/Atletico
O futebol não muda em sua essência: em clube grande, de torcida gigante, quando as vitórias não acontecem o clima fica pesado e o trabalho instável.
Pressão e cobrança pra todo lado, com razão. Principalmente na atualidade, em que os salários de treinadores e jogadores são absurdos, completamente fora dos padrões brasileiros.
Normalmente, os mais cobrados são o treinador e os jogadores mais famosos. E, óbvio, a diretoria.
No Atlético atual, Cuca não deu conta do recado e Jorge Sampaoli é, a cada jogo, mais questionado. Não há dúvida quanto à competência tanto de um quanto de outro, mas, como qualquer técnico, precisam de tempo para treinar e testar, esquemas de jogo e jogadores. E isso é impossível no calendário do nosso futebol.
Aí, se sobressaem os clubes mais estruturados e estáveis, como o Flamengo e Palmeiras, que têm dinheiro para grandes contratações e jogadores formados em casa para manterem os elencos principais bem irrigados.
No meu entendimento, o Atlético estava no caminho certo com Gabriel Milito. Sem exigir nenhuma contratação cara, foi adaptando jogadores em posições diferentes das originais (Rodrigo Battaglia é o melhor exemplo), observava a base e levava os melhores para treinador com os profissionais e começava a dar uma cara ao time, mesmo disputando Brasileiro, Copa do Brasil e Libertadores ao mesmo tempo.
Errou feio na final da Libertadores contra o Botafogo e foi responsabilizado como o único culpado pela não conquista do título, que era naturalmente difícil, por causa do adversário que tinha mais time.
Ao invés de aguentar a pressão e manter o trabalho do treinador, que era bom, a diretoria do Galo o jogou para as cobras e o clube voltou à estaca zero na formação de um time com perfil bem definido para enfrentar a temporada de 2025, que já estava prestes a começar.
E neste emaranhado de opiniões sobre a situação do Atlético, gosto muito das avaliações do jornalista Victor Barboza, que sigo no twitter. Depois do empate de ontem contra o Athletic ele escreveu o seguinte:
@victorbarbuza “MINHA OPINIÃO: – Colocar o Sampaoli como o principal responsável pelos últimos resultados ruins do Atlético é uma leitura preguiçosa e equivocada. Contra o Athletic, o time criou o suficiente para marcar umas três vezes apenas no primeiro tempo. Perderam por displicência e decisões ruins. Além de outras chances na segunda etapa. Os jogadores precisam ser cobrados, assim como a diretoria, que segue devendo peças importantes. Parcela dessa responsabilidade é do Sampaoli e ela será MAIOR quando ele tiver completado ao menos a primeira parte desse processo de reformulação, que não acontece da noite para o dia. Mas contra o Athletic precisava de mais? Não. Mas como eu disse: o time desperdiçou oportunidades criadas e ainda teve um pênalti sonegado (mais um). Quando sairemos desse ciclo de sempre colocar os treinadores como peça central dos problemas? Será coincidência Milito, Cuca e Sampaoli terem dificuldades para vencer? O buraco é mais em baixo.”


One Response
Chico, achei que sua ressaca pelo resultado de ontem não ia gerar nem um post a respeito.
Ainda bem que me enganei.
Já disse em outras oportunidades que não gosto de entrar em conversas sobre adversários do Cabuloso, mas nesse caso específico farei diferente. E não, nenhum comentário sobre esse jogo, mas um comentário mais geral e abrangente.
Flamengo – conseguiu ontem se livrar na bacia das almas de ter que disputar quadrangular para não ser rebaixado no Rio
Palmeiras – embora esteja em situação mais confortável no Paulista, também tomou tamancas
Cruzeiro – se quebrar esse tabu ridículo contra o América hoje, se classifica para a fase seguinte. Se só empatar, pode se considerar fora.
Atlético – vc já descreveu, não vou palpitar sobre o rival local.
O que esses times têm em comum ?
1 – falta de pré-temporada. É claro que musculatura precisa voltar a um estado mais competitivo (o Cruzeiro já tem quatro lesionados ou mal recuperados – Matheus Henrique, Sinisterra, Jonathan Jesus e Chico da Costa).
Está acontecendo nos outros times que citei também.
2 – quando começa o ano, é unanimidade – coloca os meninos pra jogar.
Mas quando se chega perto de um humilhante rebaixamento estadual, ou até mesmo de ficar fora da fase final, “tchau, meninos. Deixa os homens jogarem”.
Tudo isso por causa de uma merda de time da CBF que ninguém dá bola ?
Mexem no calendário inteiro (costume há décadas) para que o Brasil inteiro possa – eu não estarei nessa – acompanhando um time feito por jogadores brasileiros que atuam na Europa e não tem quase nenhuma ligação com o país, com os times do Brasil ?
Qual é a motivação ? Pra mim, zero.
Vai ser essa bosta – Flamengo, Palmeiras, Cruzeiro, Atlético e outros – até o final de março, no mínimo.