www.instagram.com/brigada1908
Deu na ESPN: “…Em votação realizada no Morumbi nesta sexta-feira (16), o Conselho Deliberativo do clube aprovou o impeachment do mandatário (Júlio Casares), que deixa o cargo de maneira imediata, até que nova votação aconteça entre os sócios, e que pode definir de uma vez por todas a sua saída.
Casares, de 64 anos, passou a ser alvo de investigações nos últimos tempos, uma delas a respeito de um suposto recebimento de R$ 1,5 milhão em depósitos em dinheiro na sua conta corrente, entre janeiro de 2023 e maio de 2025…”
Em 1998, depois de pressão da torcida e por consequência, da imprensa, o presidente Paulo Cury sofreria impeachment, mas renunciou antes, para evitar as pesadas consequências previstas no estatuto do Atlético, além das ações que enfrentaria na justiça por má gestão.
Agora, Sociedade Anônima do Futebol, SAF -, o Galo é uma empresa, tem dono e as condições são outras. O Conselho Deliberativo não tem mais esse poder para um impeachment. O que a imprensa fala ou deixa de falar só incomoda à vaidade dos donos, mas longe do poder dos efeitos prátic0s que produzia antes.
A torcida continua tendo força, porém, limitada a protestos, como os que foram feitos neste início de ano, na porta da Cidade do Galo e hoje na porta da Rádio Itatiaia, cujo dono é o mesmo, Rubens Menin.
Pode ser que ele se preocupe com o nome que tem a zelar nos meios empresariais e resolva mudar tudo na forma de comandar o Atlético. Mas, também pode ser que não esteja nem aí, e vida que segue, já que os seus outros negócios vão muito bem no Brasil, nos Estados Unidos e em Portugal. O Clube Atlético Mineiro é apenas mais um item do seu “portfólio”, em que jogadores de futebol são apenas mais uns “ativos” do seu conglomerado.
Para quem não conhece direito a história do Atlético, que quase sempre foi tumultuada nos bastidores, mas cuja pressão popular surtia efeitos práticos e positivos, vale a pena ler essa reportagem do Globo Esporte de 13 de novembro de 2020:
“Sina? Presidência do Atlético-MG cumpriu dois mandatos apenas uma vez nos últimos 25 anos”
Sette Câmara repete antecessor e deixa cargo após primeiro triênio, abrindo mão de reeleição. Função no clube teve momentos turbulentos, com renúncias e licenças desde 1995
O Atlético-MG terá um novo presidente a partir de 2021. Sérgio Sette Câmara anunciou oficialmente que não participará da eleição para disputar uma renovação do mandato por mais três anos. Com isso, segue uma espécie de sina do cargo no clube. Entre 1995 e 2020, apenas um mandatário conseguiu ser eleito, reeleito e cumprir o tempo integral a que tinha direito. Sette Câmara deixará o Atlético em 1º de janeiro de forma pacífica, sem confusão. Algo que não foi praxe num passado recente do Atlético. Há 25 anos, Paulo Cury era eleito no lugar de Afonso Paulino, que comandou o Atlético por dois mandatos integrais (1989 a 1994). Cury ficou o primeiro triênio no comando, permaneceu até 1998, mas renunciou em dezembro daquele ano, após ser réu de um processo judicial.
Quem assumiu foi o vice-presidente Nélio Brant. Ele é escolhido para terminar o segundo mandato de Cury, entre dezembro de 1998 e dezembro de 2000. No último mês do último ano do milênio passado, o diretor de banco é eleito para permanecer no cargo, com mandato de 2001 a 2003. Mas no ano seguinte, começa a balançar. Ao ter que dividir as funções de presidente do Atlético com a profissão, decide se licenciar por três meses do Galo, em abril de 2001.
Sem Brant, o Atlético teria o vice-presidente Ricardo Guimarães na função máxima da administração. Ele seria auxiliado pelo então presidente do conselho deliberativo, Alexandre Kalil, nas questões diretamente relacionadas ao futebol, segundo informava o jornal Estadão. Hoje, seguem como personagens centrais e opostos na política alvinegra.
Nélio Brant nunca mais retornou ao posto e Ricardo Guimarães foi eleito presidente em dezembro de 2003, com mandato até o fim de 2006. Foi quando a crise financeira que atolava o clube há anos, e com decisões equivocadas no campo, culminaram no rebaixamento à Série B, em 2006. Guimarães consegue devolver o Atlético para a Série A no último ano de gestão, e deixa o clube, mas nunca parou de ajudar o Galo nas finanças – é um dos maiores credores.
Em dezembro de 2006, Ziza Valadares, então diretor de futebol, é eleito presidente do Atlético com o apoio de Ricardo Guimarães. Ziza foi mais um presidente a renunciar na história do Galo. Ele havia sido alvo de investigações do MP e sofria grande pressão da torcida. Deixou o clube em setembro de 2008.
Então, começou a dúvida de quem iria assumir. Renato Salvador, hoje figura central da ala política da situação – ao lado de Guimarães, Rubens Menin e Rafael Menin, era o primeiro da linha sucessória. Mas abriu mão do cargo de vice. O mesmo aconteceu com Ronaldo e Roberto Vasconcelos, os outros vices. Sobrou para o presidente do conselho, João Batista Ardizoni. Ele convocou novas eleições e, finalmente, o clube viveu estabilidade no cargo.
Alexandre Kalil retornou ao Atlético e foi eleito presidente do clube em outubro de 2008. Assim como seu pai, Elias (1980-1985), ficou seis anos completos no cargo. Foi o único, dos últimos 25 anos, a ser eleito, reeleito e cumpriu o mandato de forma integral.
Seu sucessor, Daniel Nepomuceno, abriu mão da reeleição em dezembro de 2017, por uma posição coletiva do grupo político do qual pertencia Sérgio Sette Câmara. Num cenário com outras nuances, mas de resultado similar, o advogado também voltará a ser “apenas” conselheiro após o triênio 2018-2020.
O próximo a ocupar a cadeira da presidência será Sérgio Coelho, que vivenciou as administrações de Paulo Cury, Nélio Brant e Ricardo Guimarães. Foi vice-presidente dos dois últimos, trabalhou diretamente no futebol e retorna ao Galo após 15 anos.
Os presidentes do Atlético-MG:
- Afonso Paulino:
1989 a 1994
Reeleito e cumpriu mandatos - Paulo Cury:
1995 a 1998
Foi reeleito em 1997, mas renunciou no 1º ano do 2º mandato - Nélio Brant:
1998 a 2001
Era o vice de Paulo Cury e assumiu o clube em dezembro de 1998.
Foi reeleito em dez/2000 e deixou o posto em abril de 2001. - Ricardo Guimarães:
2001 a 2006
Era o vice de Brant e assumiu em abril de 2001.
Foi eleito presidente em dez/2003 e cumpriu o segundo mandato, mas o primeiro foi “incompleto”. - Ziza Valadares:
2007 a 2008
Era diretor de futebol e foi eleito, mas não completou o 1º mandato. Renunciou em set/2008. - Alexandre Kalil:
2008 a 2014
Sucedeu Ziza Valadares e ficou mais de seis anos no cargo. Foi reeleito em dez/2011 para conquistar grandes títulos no último triênio. - Daniel Nepomuceno
2015 a 2017
Vice de Kalil, foi o sucessor, mas não se candidatou à reeleição. - Sette Câmara:
2018 a 2020
Era da diretoria de Kalil, vice do Conselho e foi eleito em dezembro de 2017. Abriu mão da reeleição.

