Que bom que o governo volta atrás!

Capa da edição de 5 anos do Sete Dias em 1996: Bia e Lara, filhas do Celsinho Paiva e Adriana Drummond, colaboradores de primeira hora do nosso jornal.

Este é o título do editorial do nosso jornal Sete Dias, de Sete Lagoas e região, que completa exatamente hoje, 34 anos de existência. Único jornal impresso a circular nessas redondezas, toda sexta-feira, ininterruptamente. Graças aos leitores que o adquirirem nas bancas e demais pontos de venda, assinantes e às empresas privadas que anunciam conosco, a quem agradeço penhoradamente. Zero de ligação com qualquer político, seja local, estadual ou federal.

Hoje é um dia muito especial para mim e repasso às senhoras e senhores o editorial desta edição especial de aniversário, que conta um pouco da nossa história.

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Que bom que o governo volta atrás!

Que bom para nós do jornal SETE DIAS estarmos presentes, há 34 anos, na história dos 158 da nossa cidade.  

Quando circulamos pela primeira vez, na sexta-feira do dia 29 de novembro de 1991, foram muitas a aves agourentas que apostaram que não duraríamos “três meses”. A maioria desses agourentos já morreu, física ou empresarialmente. Uma pena! Não estão mais entre nós para, por exemplo, ler esta edição comemorativa dos aniversários da cidade e nosso!

Nos últimos tempos, com a chegada da era digital, a previsão da moda é que jornais e revistas impressos vão acabar. Claro, que quem não se adapta a qualquer nova realidade acaba mesmo. Em qualquer atividade.

Quando surgiu a TV, dizia-se que o cinema ia acabar. E o rádio também. A internet chegou no início dos anos 1990 e todos os meios de comunicação que se atualizaram se beneficiaram dela.

Para ficarmos apenas em um único exemplo: emissoras de rádio que só alcançavam os bairros mais centrais de suas cidades sedes, hoje podem ser ouvidas em qualquer parte do mundo.

O impresso resiste e continua decisivo, mas a Comunicação do governo Zema apostava todas as suas fichas na internet, especialmente nas dancinhas e bizarrices das redes sociais. Ao ponto de colocar no ar, vídeo do governador comendo banana com casca, uma imagem constrangedora, que viralizou, no intuito de dar visibilidade a ele em sua pretensão de se candidatar a presidente da república.

E a credibilidade? Como fica?

Dados bem recentes, de 2025, de entidades nacionais e internacionais como a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) e Reuters Institute, da Universidade de Oxford, informam que os meios de informação que os brasileiros mais confiam são: mídias impressas (68%) e portais de notícias (59%). E que 10% da população continuam fiéis à leitura impressa.

Vale lembrar que eleições costumam ser decididas por menos de 1% dos votos. O que dizer das eleições da nossa vizinha Inhaúma ano passado? Empate. Tomou posse o mais velho em idade.

Vale lembrar também as eleições em Fortuna de Minas em 2020 em que as pessoas diziam que gostariam de votar num candidato, mas ele “não tinha chances” e votariam mesmo no que “ia ganhar”. Duas semanas antes das eleições, este SETE DIAS publicou pesquisa eleitoral regional, que mostrava este candidato chamado de “azarão” em segundo lugar, com chances de ganhar. Apoiadores dele distribuíram exemplares do jornal, de casa em casa e por incrível que pareça, ele venceu, por cinco votos de diferença.  

No “Conecta ComMinas”, maior evento da indústria da comunicação em Minas Gerais, o secretário de Comunicação do Estado, Bernardo Santos, desfilou um punhado de dados sobre os veículos impressos. Em resumo, disse que os jornais e revistas impressos “morreram”, que ninguém lê mais.
Em seguida, passou a palavra ao Deputado Antônio Carlos Arantes (PL), que estava ao lado dele, possivelmente pensando que teria o aval do parlamentar, que é um dos mais fiéis da base do governo na Assembleia Legislativa.
Para a surpresa geral, principalmente do secretário, o Deputado, educadamente, ficou frontalmente contra os argumentos dele, lembrando fatos importantes e citando exemplo pessoal:
__ É gente demais que continua preferindo ler jornais impressos. Eu sou um, que inclusive leio com uma tesoura na mão para recortar as notícias e comentários de interesse dos meus eleitores e meus pessoais. Repasso para a minha assessoria para que sejam dados os devidos encaminhamentos.

Reconhecendo que realmente houve uma queda enorme na produção e leitura dos impressos, Antônio Carlos Arantes também lembrou que estes veículos continuam sendo líderes em credibilidade junto ao público consumidor de informação, que confia “desconfiando” dos meios digitais, em função da quantidade absurda de notícias falsas que toma conta do universo da internet.

E arrematou, concordando com a reivindicação do SINDIJORI (Sindicato dos Proprietários de Jornais, Revistas e Similares do Estado de Minas Gerais), que reavalie essa postura implantada pelo governo de Minas, de não anunciar nos jornais e revistas impressos.

Este evento, o Coneccta Minas, reúne agências de publicidade, veículos de imprensa e profissionais da área. Foi realizado em sua 3ª edição, no dia 27 de outubro em Belo Horizonte.

Constrangido e frisando que não é especialista em Comunicação, pois a sua formação acadêmica é em engenharia civil, Bernardo Santos, admitiu conversar com a equipe dele e estudar melhor o assunto, depois de ouvir atentamente a fala do deputado e do presidente do SINDIJORI, Rodrigo da Silva Fernandes.

Parece ter sido sincero e convencido de que estava equivocado, já que para a satisfação da comunidade dos veículos impressos, o governo de Minas comprou uma página do jornal O Estado de São Paulo, o “Estadão”, na última terça-feira, 25, para divulgar o Turismo do nosso estado.

Pode até se tratar de alguma jogada política; nunca se sabe, porém, é um bom sinal.

Vamos aguardar!

Nestes 34 anos o SETE DIAS cobre os fatos marcantes ocorridos na região. Como essa que foi uma das maiores enchentes da história de Jequitibá, quando o Rio das Velhas transbordou, rompeu diques e a grande parte da cidade ficou submersa.

A Prefeitura, Igreja de Santo Antônio, agências da Cemig, Credisete/Sicoob, Correios, Cartório Eleitoral, várias lojas comerciais e a biblioteca pública ficaram debaixo d’agua.

A ponte na MG-238, que liga Jequitibá a Sete Lagoas, também ficou submersa, com o tráfego interrompido por cinco dias. O governador Eduardo Azeredo visitou a cidade para prestar apoio ao prefeito Walter Fidélis “Waltinho”. Essa enchente aconteceu quatro dias depois da posse dele, em janeiro de 1997.  

A notícia voltou a ser destaque numa edição especial do SETE DIAS, sobre o último ano do mandato dos prefeitos eleitos em 1996.

Uma capa histórica, durante o processo de queda de Fernando Collor da presidência da república.

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