Treinador faz muita diferença, mas as situações de Cuca e Leonardo Jardim são bastante distintas

 Fotos: Átila Kassius/Fluxo Fotografia

Gente, também tenho pavor de “textões”, mas o momento exige. Primeiro, porque é uma “coluna” pra jornal impresso, “espécie em extinção”, depois, porque o assunto carece de mais aprofundamento, pois se refere a técnicos de futebol, coisa séria. E, tomara que muitos cabeças cozidas, que só leem títulos e manchetes, leiam até o fim, pra não me encherem o saco, cobrando coisas que não falei nem escrevi. Minha coluna de amanhã, no Sete Dias www.setedias.com.br:

Os “fatores” Cuca e Jardim e os 2 a 0 do Cruzeiro sobre o Atlético, mostraram a realidade dos técnicos de cada lado.

Eles se equivalem em competência e não têm mais nada a provar a ninguém que são competentes, merecedores dos cargos que ocupam, em dois dos maiores clubes da América do Sul.

A diferença básica é que Leonardo Jardim é novato em Minas e no futebol brasileiro. Negociou sério a sua aceitação do convite com os donos do Cruzeiro e teve todas as suas exigências atendidas. Dentre elas, o controle absoluto do futebol, principalmente o departamento profissional. Encontrou um ambiente ruim, entre jogadores, dirigentes do profissional e dirigentes da base.

Está vivo na memória de todos nós o “vazamento” de críticas do Adilson Batista, diretor da base, e do seu diretor, ex-volante Fabrício, às contratações feitas pelo Alexandre Matos, comandante do profissional, e na teoria, de todo o futebol do Cruzeiro. Fabrício caiu e Adilson também cairia, mas ele é da confiança pessoal do dono, Pedrinho Lourenço, que não permitiu a sua demissão. Santa decisão!

Português esperto

Leonardo Jardim chegou com o time mal, Matheus Pereira mais fora do que dentro, Dudu e Gabigol recém contratados a peso de ouro e ganhando mais que todos os companheiros.

O técnico português avaliou tudo, prestou muita atenção nos treinos, jogos, viagens, concentrações e conversas com todos e entre todos. Bateu tudo no liquidificador e concluiu com quem gostaria de trabalhar, dentro e fora de campo. Discreta e educadamente, tirou do caminho dele, Dudu, Alexandre Matos e outros menos famosos. Valorizou quem tinha que valorizar, como o Matheus Pereira, e o Kaio Jorge, que andava desaparecido até dos noticiários.

Mudou tudo, passou a trabalhar à maneira dele. Consertou o ambiente e impôs a sua forma de jogar. Gabigol teve que aceitar o banco, mesmo com os padrinhos que tem na imprensa, redes sociais e grande parte da torcida. Só não foi embora ainda porque não surgiu nenhuma proposta interessante para ele.

O enganado Cuca

Entre idas e vindas, Cuca é um dos profissionais mais queridos da história do Atlético. Ganhador da maior conquista do clube, a Libertadores de 2013 e responsável por tirar o Galo da fila do Brasileiro, campeão depois de 50 anos. Nem a passagem ruim na penúltima vez conseguiu arranhar o prestígio geral dele com a torcida.

Para retornar ao Atlético em 2025, apenas uma exigência: que o elenco fosse mantido e que algumas contratações pontuais fossem feitas. Só que, ele não sabia que a situação financeira era delicada e que os donos da SAF não estavam dispostos a enfiar a mão no bolso, como faz o Pedrinho, no Cruzeiro. E que poucas semanas depois, o diretor geral do clube, Bruno Muzzi, daria entrevista coletiva dizendo que o Atlético teria que vender um ou dois jogadores para “equilibrar” as contas. Também, ele nem sonhava que teria que administrar o ambiente entre os jogadores por causa de salários, prêmios e direitos de imagem atrasados. Ou, que as contratações “pontuais”, teriam que ser “meia-boca”, sem atestado garantido de qualidade técnica ou física.

Na hora “agá”!

Aí, na véspera de quartas de final de Copa do Brasil e Sul-Americana, o melhor zagueiro se machuca e Cuca não pode escalar nem o Igor Rabelo, um bom reserva, já que ele foi negociado com o Fluminense.

Já não tem um lateral direito de qualidade superior; na esquerda, Arana passa por longa má fase; não tem um primeiro volante bravo e nem mais um meia criativo, para variar jogadas e abastecer o incansável Hulk, único confiável do ataque, mesmo aos 39 anos de idade. Saudade dos Rubens, Battaglias, Zarachos e até Bruno Fuchs, “da vida”, e outros que se foram por preços de banana ou de graça.

Desse jeito, só resta lamentar que não apareceu ninguém para ao menos incomodar o Fabrício Bruno na arrancada genial dele no 1 a 0, e que o Kaio Jorge não teve ninguém a marcá-lo e pra tentar impedir que ele marcasse o segundo gol.

Ruim com ele, pior sem ele

Em clube grande, de massa, em que a torcida quer títulos, Cuca ou qualquer treinador não faz milagres. No máximo, consegue boas performances em uma competição ou outra, com alguns improvisos que dão certo e algum jogador acima da média que se vira em campo em determinados jogos. Além da força da torcida, também incansável, porém, cobradora voraz, com toda a razão.  

Continuo defensor da ideia: com este elenco; ruim com o Cuca, pior sem ele, que aliás, demonstra um desânimo incrível. Quem não assistiu a coletiva dele depois do clássico, se animar, veja neste link do YouTube. Ele disse que não se trata de “desânimo” e sim a dor no ombro, “motivo até de uma cirurgia”:

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